Tecnologia

IBM tem maior tombo nas ações em quase seis décadas

A IBM registrou a maior queda de suas ações em pelo menos 58 anos depois de divulgar uma prévia da receita do segundo trimestre abaixo das expectativas do mercado.

Continua após a publicidade

Segundo a empresa, o desempenho foi impactado pela mudança no perfil dos investimentos de seus clientes, que passaram a direcionar mais recursos para a compra de chips e servidores em meio à escassez global de semicondutores impulsionada pela expansão da inteligência artificial (IA).

Os números preliminares foram divulgados nesta terça-feira (14) e provocaram uma forte reação em Wall Street, além de afetarem outras empresas do setor de software.

Receita da IBM ficou abaixo das projeções

  • De acordo com a IBM, a receita preliminar do segundo trimestre foi de US$ 17,2 bilhões (R$ 87,5 bilhões), abaixo da estimativa de US$ 17,9 bilhões (R$ 91 bilhões) feita por analistas;
  • A divisão de infraestrutura foi a mais afetada, registrando queda de 7% nas vendas;
  • A companhia informou que ainda está revisando os resultados financeiros e destacou que os números definitivos, previstos para serem divulgados na próxima semana, ainda poderão sofrer pequenos ajustes;
  • Após a divulgação da prévia, os papéis da IBM chegaram a cair 26% na Bolsa de Nova York, sendo negociados a US$ 215,67 (R$ 1.097,46);
  • Eles fecharam em queda de 25%, a maior desvalorização desde 1972, segundo o Financial Times;
  • A empresa perdeu US$ 68 bilhões (R$ 346,1 bilhões) em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta;
  • O desempenho também pressionou outras empresas de software. As ações da Workday e da ServiceNow recuaram cerca de 6%;
  • Na direção oposta, fabricantes de semicondutores foram beneficiados. As ações da SK Hynix e da Arm Holdings registraram alta.

Escassez de chips altera prioridades de investimento

Segundo a IBM, a rápida expansão dos data centers voltados ao desenvolvimento e operação de sistemas de IA provocou uma severa escassez de semicondutores, especialmente chips de memória. Esse cenário elevou os custos de diversos produtos eletrônicos, desde iPads até consoles Xbox.

A empresa afirma que a falta de componentes também levou seus clientes a priorizar investimentos em servidores, chips, armazenamento e memória, reduzindo os recursos destinados a tecnologias, como mainframes e softwares comercializados pela IBM.

“Os gastos com tecnologia da informação estão piorando e provavelmente serão o principal tema entre a maioria das empresas de software quando divulgarem seus resultados”, afirmou o analista Anurag Rana à Bloomberg.

O presidente-executivo da IBM, Arvind Krishna, afirmou que a companhia já esperava que dificuldades na cadeia global de suprimentos afetassem seus resultados.


No entanto, segundo ele, a empresa não previu que seus clientes também passariam a redirecionar parte significativa de seus investimentos para a aquisição de servidores, armazenamento e memória como forma de se proteger de novas altas de preços. “O que aconteceu foi pior do que esperávamos”, escreveu Krishna em carta aos investidores.

Segundo o executivo, os principais impactos ocorreram sobre os mainframes da linha Z e os softwares relacionados. “Essas condições exigem que nossas equipes executem tudo com perfeição e, neste trimestre, nós falhamos. Não nos adaptamos nem reagimos com rapidez suficiente e diversos grandes contratos não foram concluídos dentro dos prazos que esperávamos”, afirmou.

Fachada de um prédio da IBM como o logo da empresa
Presidente-executivo da IBM afirmou que a companhia já esperava que dificuldades na cadeia global de suprimentos afetassem seus resultados – Imagem: Framalicious/Shutterstock

Continua após a publicidade

Leia mais:

Transformação da IBM enfrenta novos obstáculos

A desaceleração das vendas de hardware representa mais um desafio para a estratégia da IBM de se consolidar como uma empresa de software de alto crescimento.

Nos últimos anos, a companhia realizou grandes aquisições, entre elas Red Hat, HashiCorp e Confluent, como parte desse processo de transformação.

Ao mesmo tempo, esse reposicionamento aumentou a preocupação de investidores diante da possibilidade de que ferramentas de IA passem a substituir parte dos produtos de software oferecidos pela empresa.

Em fevereiro, as ações da IBM já haviam registrado uma forte queda após a startup de IA Anthropic apresentar ferramenta capaz de modernizar uma antiga linguagem de programação utilizada nos mainframes da companhia.

Continua após a publicidade

Lucro também recua

Além da receita abaixo do esperado, a IBM informou uma queda preliminar de 2% no lucro diluído por ação, que ficou em US$ 2,27 (R$ 11,55).

Assim como outras empresas do setor de software, a companhia vem incorporando recursos de IA aos seus produtos e ampliando sua capacidade de oferecer aos clientes tecnologias mais recentes.

A estratégia busca convencer investidores de que a IA poderá fortalecer seus negócios, em vez de substituí-los.

IA e cibersegurança influenciam mercado

Executivos da IBM afirmaram que projetos ligados à IA continuam impulsionando a demanda por seu software de infraestrutura, utilizado por clientes para operar com os principais modelos de IA disponíveis.

Segundo Arvind Krishna, os clientes também ficaram “distraídos” por preocupações “em rápida evolução” relacionadas à cibersegurança.

O texto destaca que o modelo Mythos, desenvolvido pela Anthropic, gerou preocupação entre governos e empresas de diversos países no início deste ano devido à sua capacidade de identificar vulnerabilidades que poderiam ser exploradas por agentes mal-intencionados.

Continua após a publicidade

Antes de sua disponibilização mais ampla, bancos, empresas de tecnologia e outras organizações receberam acesso antecipado ao modelo para fortalecer seus sistemas de defesa diante das novas ameaças.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.


Olhar Digital

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo