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IFPA promove evento para discutir o futuro do Mercado de produtos frescos no país

O avanço da busca por alimentação mais saudável e a valorização de alimentos frescos começam a redesenhar os hábitos no Brasil. O movimento abre uma oportunidade para a cadeia de frutas, flores, legumes, verduras e ovos (FFLVO), mas também amplia a necessidade de integração entre produtores, distribuidores, varejo, food service e fornecedores de tecnologia.

Este é o centro da discussão na The Brazil Conference & Expo, feira de negócios especialista no mercado de frutas, flores, legumes, verduras e ovos, realizada pela International Fresh Produce Association (IFPA) em parceria com a Francal. Nos dias 4 e 5 de agosto, o evento reunirá, no Distrito Anhembi, em São Paulo, produtores, varejistas, atacadistas, operadores de food service, importadores, exportadores, fornecedores de soluções e lideranças do mercado de produtos frescos da América Latina. O credenciamento pode ser feito pelo site oficial da feira.

Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomende a ingestão diária de pelo menos 400 gramas de frutas e hortaliças, o brasileiro ingere, em média, apenas cerca de 150 gramas por dia. O contraste é ainda maior porque o país é o terceiro maior produtor mundial de frutas, com aproximadamente 44 milhões de toneladas anuais. Para o setor, a distância entre o consumo atual e o recomendado revela um dos maiores potenciais de crescimento da cadeia de produtos frescos nos próximos anos.

“Precisamos mostrar que esses itens agregam valor e aumentar seu espaço na mesa do consumidor”, afirma Valeska Oliveira Ciré, country manager da IFPA no Brasil. Para ela, transformar essa mudança de comportamento em aumento exige uma cadeia mais integrada, capaz de reduzir perdas, ganhar eficiência e aproximar produtores, varejo e a população. Além disso, a reflexão também é sobre como garantir previsibilidade. Depois da pandemia, o setor passou a conviver com margens mais pressionadas, oscilações de preços, maior risco climático e pessoas mais atentas à qualidade, à origem e à conveniência dos alimentos. “Produzir bem e em larga escala deixou de ser o único indicador de eficiência”, afirma.

A edição da feira em 2026 acontece nos dias 4 e 5 de agosto em São Paulo — Foto: IFPA
A edição da feira em 2026 acontece nos dias 4 e 5 de agosto em São Paulo — Foto: IFPA

Eficiência para reduzir perdas

Ao longo dos dois dias de programação, a The Brazil Conference & Expo reunirá expositores líderes do mercado e promoverá conferências, painéis e rodadas de negócios voltados aos principais desafios da cadeia de produtos frescos. Entre os temas em discussão estarão redução de perdas, inovação, segurança dos alimentos, logística, tendências de consumo, comunicação, internacionalização e novas estratégias para ampliar a competitividade do setor.

Um dos desafios mais urgentes é o desperdício. As perdas começam ainda na colheita, passam pelo transporte e pela cadeia do frio, continuam na exposição dos produtos nas lojas e chegam até a casa das pessoas. A diferença, segundo Valeska, é que o setor passou a discutir essas ineficiências de forma mais estruturada. “Produtores, varejistas e fornecedores vêm mapeando melhor os gargalos e buscando soluções conjuntas para reduzir desperdícios e melhorar a rentabilidade”, diz.

A tecnologia tem papel crescente nesse processo. Soluções de rastreabilidade, automação, inteligência de dados, logística e gestão de categorias ajudam a tornar a operação mais eficiente e a melhorar a experiência de compra. Para o setor, a inovação não está apenas no campo, mas também na forma como o produto chega à gôndola, é apresentado e se transforma em escolha de compra.

Outro tema que ganha espaço é a profissionalização da gestão em toda a cadeia. “O pequeno produtor também precisa olhar além da porteira”, diz Valeska. Segundo ela, estar conectado ao ambiente de negócios tornou-se essencial para empresas de todos os portes. Isso significa compreender o comportamento de quem compra, planejar melhor o abastecimento, desenvolver parcerias e identificar oportunidades de diferenciação.

O varejo como elo estratégico

A mudança no comportamento de compra reforça essa necessidade. Com a popularização das canetas emagrecedoras e o avanço da pauta da saudabilidade, cresce a busca por alimentos de maior qualidade nutricional, mais convenientes e com melhor apresentação. Para Valeska, esse movimento pode favorecer os produtos frescos, desde que a cadeia consiga comunicar melhor seus atributos. “Há sinais claros de que o consumidor vai comprar menos volume e escolher melhor o que leva para casa”, afirma.

No varejo, essa transformação passa por tratar frutas, flores, legumes, verduras e ovos de forma mais estratégica. Origem, sazonalidade, conservação, embalagem e modo de preparo influenciam cada vez mais a decisão de compra. Para Valeska, as lojas também desempenham um papel importante na educação da sociedade. “Cerca de 10% da população passa diariamente pelo varejo. É uma oportunidade para ensinar como armazenar, preparar e consumir melhor esses alimentos”, afirma.

Esse perfil de profissionalização também está no centro da proposta da The Brazil Conference & Expo. Na edição anterior, 65% dos participantes ocupavam cargos de gestão, 85% tinham poder de decisão de compra, representantes de 17 países participaram do encontro e oito das dez maiores redes varejistas do Brasil estiveram presentes. Além de atrair um grande volume de visitantes, a organização aposta na qualificação da audiência para ampliar as oportunidades de relacionamento e geração de negócios ao longo de toda a cadeia. “Mais do que olhar para dois dias de feira, estamos mirando um ano de negócios”, finaliza Valeska.

The Brazil Conference & Expo
04 e 05 de agosto 2026 das 8h às 19h
Distrito Anhembi – Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana, São Paulo
Mais informações: https://freshproduce.com.br/


Globo Rural

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