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Pecuaristas defendem restrições a antimicrobianos só para a Europa



Entidades da cadeia de pecuária bovina concordaram que o Brasil deve buscar a reabertura do mercado europeu por meio do cumprimento do Protocolo de Exportação de Bovinos Livres de Antimicrobianos, homologado pelo Ministério da Agricultura no início de junho.

O mecanismo é direcionado apenas a pecuaristas interessados em exportar ao bloco, sem gerar exigências adicionais aos demais criadores. O tema foi discutido em reunião extraordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Carne Bovina nesta terça-feira (21/7) em Brasília. A posição será encaminhada ao ministro da Agricultura, André de Paula, para embasar as negociações do governo com as autoridades europeias. Uma nova reunião foi agendada para 18 de agosto, segundo o presidente da câmara setorial, André Bartocci.

Desde que a Comissão Europeia excluiu, em maio, o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco a partir de 3 de setembro, alegando falha do país em comprovar que segue as regras europeias sobre uso de antimicrobianos, indústria e pecuaristas vêm divergindo sobre a solução para o impasse.

As empresas propuseram a ampliação dos produtos vetados no país, enquanto pecuaristas defendem as restrições só para criadores que queiram fornecer animais para abate e posterior exportação da carne bovina ao bloco.

“É falta de bom senso suspender (antimicrobianos) no Brasil inteiro, a não ser que houvesse comprovação científica de que os produtos afetam a saúde”, disse Bartocci, em referência à preocupação dos europeus com um eventual aumento da resistência de bactérias às medicações. “Se deixarmos de usar algumas tecnologias, aumentam o risco de clostridioses [doenças causadas por bactérias], as emissões de gases de efeito estufa, porque aumentaria o tempo do animal no pasto”, afirmou à reportagem.

Durante a reunião, as entidades concordaram que mesmo a Europa sendo um mercado relativamente pequeno em comparação com as exportações totais, deve ser mantida. Isso porque, além de pagar mais pela carne, a Europa acaba sendo um “cartão de visitas” para o Brasil conseguir abrir outros mercados cobiçados, como Japão e Coreia do Sul.

O protocolo privado homologado pelo governo estabelece as regras para certificar a carne destinada à UE, que precisa ser proveniente de animais não tratados com antimicrobianos proibidos pelo bloco ao longo de toda sua vida.

Segundo uma fonte, 47 frigoríficos — quase todas as plantas habilitadas a exportar à UE —, além de 20 fazendas, de um total de 1,3 mil autorizadas hoje a exportar ao bloco, solicitaram adesão ao protocolo. Até então, essas propriedades não precisavam comprovar o não uso dos medicamentos em toda a vida do animal, que varia de dois a três anos. Daí a perspectiva de que o Brasil volte a exportar à UE só nesse prazo, se começar a certificar a produção agora.

As divergências na cadeia não foram totalmente dirimidas, disse outra fonte. Frigoríficos entendem que seria melhor banir o uso de antimicrobianos usados como promotores de crescimento no país. Argumentam, por exemplo, que outros compradores, como China e Coreia do Sul (fechada à carne do Brasil), baniram os produtos internamente, bem como concorrentes como Austrália e Nova Zelândia.

Já o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Emílio Salani, disse estar confiante numa saída que não preveja a proibição total dos medicamentos no país. “A informação que temos é que a UE quer que o Brasil apresente um sistema de segregação viável, aprovado pelo Brasil e auditável”, afirmou.

Na semana passada, o presidente da confederação da agricultura (CNA), João Martins, levou a André de Paula dados de possíveis impactos na produção e sanidade brasileira com a eventual proibição dos antimicrobianos. Segundo fontes, ele insistiu na aplicação do protocolo para segregar animais que não recebem os produtos, e manutenção do uso em bovinos destinados a outros mercados.

André Bartocci disse ainda que a câmara setorial também deve pedir ao ministério a categorização dos ionóforos, antibióticos naturais usados como aditivos na alimentação, separando o que é usado como medicamento ou como promotor de crescimento. O mais usado é a monensina.

(Colaborou Cleyton Vilarino, de São Paulo)


Globo Rural

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