Infantino ataca críticos da Copa do Mundo por ‘espalharem ódio’

O presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino, atacou duramente nesta segunda-feira (27) os críticos da Copa do Mundo 2026, acusando-os de espalhar “ódio e rumores falsos” e argumentando que o torneio ofereceu “apenas alegria e felicidade”.
Em uma carta aberta publicada no site da Fifa e compartilhada na conta do Instagram da instituição, bem como na conta pessoal do presidente, Infantino pediu aos detratores que “refletissem, meditassem, orassem ou assistissem a uma partida de futebol” após um torneio marcado por controvérsias como preços de ingressos e problemas com vistos.
“Lamento que o ódio e as críticas tenham consumido vocês a ponto de perderem tudo”, escreveu o ítalo-suíço de 56 anos.
“Para aqueles que, escondidos atrás de suas canetas, papéis e telas, espalham ódio e boatos falsos, quero dizer que, enquanto vocês ficam em segundo plano, nós da Fifa estamos na linha de frente, organizando, trabalhando incansavelmente e oferecendo o melhor espetáculo do mundo.”
“Não houve violência nem incidentes: segurança absoluta e apenas alegria e felicidade.”
Os meses que antecederam a Copa do Mundo no Canadá, no México e nos Estados Unidos foram marcados por temores de preços altos, tensões geopolíticas, a sombra de conflitos e a ameaça do calor brutal do verão nos três países anfitriões.
A participação do Irã, no contexto de sua guerra em curso com os Estados Unidos, juntamente com a crise interna do Haiti e a epidemia de Ebola na República Democrática do Congo, também trouxeram maior atenção às restrições de viagens e vistos.
O árbitro somali Omar Artan, que teve sua entrada negada nos Estados Unidos, personificou a dura repressão à imigração promovida pelo presidente Donald Trump.
“Unindo dois países em guerra”
No entanto, Infantino defendeu a atuação da Fifa no torneio.
“Enquanto vocês espalhavam ódio, nós trabalhávamos incansavelmente para unir dois países em guerra. O Irã entrou nos Estados Unidos sem incidentes ou conflitos”, disse ele. “A seleção iraniana recebeu vistos para entrar porque o futebol representa a paz. Não tem nada a ver com política.”
“Vistos também foram concedidos a países que enfrentavam sérios problemas de saúde ou outras dificuldades… Vocês mencionaram as poucas pessoas que tiveram seus vistos negados, mas ignoraram os milhões de pessoas ao redor do mundo que os receberam”, insistiu.
Essas declarações contrastam fortemente com as do técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, que afirmou que sua equipe foi a “mais oprimida” da Copa do Mundo. O craque do time, Mehdi Taremi, considerou o tratamento dado à sua equipe no torneio um “desastre”.
Infantino também atacou as críticas aos árbitros na Copa do Mundo, depois que se tornou público que Trump ligou pessoalmente para o presidente da Fifa para suspender a punição do americano Folarin Balogun, permitindo que o atacante jogasse contra a Bélgica nas oitavas de final.
“Sua discordância com algumas decisões tomadas pelas autoridades competentes é compreensível, mas basta consultar os registros públicos para constatar que esse tipo de decisão é comum em algumas das principais ligas”, disse ele.
“Na verdade, decisões de arbitragem ‘questionáveis’ ou sanções disciplinares ‘estranhas’, como possíveis erros na aplicação de cartões vermelhos ou amarelos ou decisões subsequentes de não punir certos jogadores em determinadas situações, são comuns e amplamente aceitas em algumas das principais ligas do mundo”, acrescentou.
“É curioso que sejam justamente os países onde essas práticas são aplicadas que agora as criticam.”
Esporte / Folha de São Paulo



