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Influenciadora reflete: ‘A gente quer mesmo é ser feliz, não malhadas!’

Ela começou no mundo da internet quando tudo ainda era mato — como dizem por aí! Em 2013, abriu o canal Depois das Onze, no YouTube, e não parou mais. Criadora de conteúdo, youtuber, influenciadora, apresentadora, artista: Gabie Fernandes (31) é uma que vale por mil e se consolidou como um dos principais nomes da moda e da comunicação no País. Atualmente, ela comanda o podcast O Rato Roeu a Roupa e prepara um livro mais do que especial para quem, assim como ela, é curioso e apaixonado por moda. Enquanto se organiza para fazer a cobertura das Semanas de Moda de Copenhagen, na Dinamarca, e de Milão, na Itália, ela ainda segue a todo vapor com os preparativos para o casamento com o ator e diretor criativo Gabriel Vaccaro. De quebra, ainda conseguiu arranjar um tempo na agenda atribulada para um papo descontraído e reflexivo com CARAS. “São muitas coisas ao mesmo tempo, mas isso é bom. Gosto assim!”, festeja.

– Como surgiu seu interesse por moda e comunicação?
– Nunca fui superdesinibida e extrovertida, pelo contrário, sempre fui tímida. E, talvez, por causa disso eu sempre fui observadora. Comecei fazendo comentários engraçados sobre o que eu percebia e isso se tornou minha maior defesa, virei imune ao bullying porque comecei a rir de mim mesma antes que os outros o fizessem. O trabalho com comunicação começou aí… só mais tarde eu admiti gostar de moda. Não vim de uma família rica e sempre achei que esse mundo não me pertencia, foi só quando eu entendi a força da moda como expressão que eu passei a admitir meu interesse por esse mundo.

– Qual foi o maior desafio de começar a produzir conteúdo?
– Talvez explicar o que eu fazia e que, sim, dava trabalho. Minha avó acreditava que eu era cantora de rádio, me via no teatro e achava que era show, era engraçado. Uma vez ela me viu na TV e não acreditou que era eu. Começar algo tão novo é assustador porque não tem panorama, quem a gente conhece que se aposentou trabalhando com internet? São muitos altos e baixos e talvez, por isso, seja complexo a gente conseguir prever o futuro da profissão, mas me orgulho de ter acreditado lá atrás. Mudou a minha vida e a da minha família.

– Como sua vida se transformou com a exposição nas redes? Existe um lado mais difícil?
– Toda profissão tem problemas, isso é lógico. Mas no mar de privilégios que é trabalhar com internet, eu me sinto mal de pontuar aquilo que não é tão bacana. É impossível mensurar o quanto a internet mudou minha vida. Eu e meu irmão crescemos em uma comunidade em Floripa, fomos bolsistas durante toda a vida, mas minha mãe sempre nos fez acreditar em nós, no futuro, nas possibilidades… Mas nem nos meus maiores sonhos imaginei que viveria bem trabalhando com aquilo que amo. A internet é esse lugar que se tornou real para pessoas como eu viverem de arte.

– A moda ainda passa uma imagem elitizada e distante de muita gente. Por que é importante tentar quebrar essa ideia?
– Porque é por meio dessa ideia que a manipulação acontece. Acreditar que moda é esse lugar distante e que não é pra gente como a gente nos faz perder os sinais do tempo, do que está acontecendo, da realidade para além da nossa, do contexto histórico mundial, do que querem que a gente acredite ou deixe de acreditar. A moda é uma das ferramentas mais interessantes de leitura da atualidade e ignorar isso só nos deixa desinformados. A era clean girl, a volta do cigarro, as bolsas milionárias. Tudo isso tem um porquê. E conhecimento é libertação.

– Como é seu contato com os seguidores, sabendo do peso de ser uma influência para tantas pessoas que te seguem?
– Tenho pessoas que cresceram comigo. Que tiveram as mesmas fases que eu, que terminaram o colégio, começaram a dirigir, a trabalhar, namorar, viajar. É doido pensar que vivemos tantas coisas juntos, isso cria uma cumplicidade, que acho difícil de ter. Meus seguidores são pessoas que me conhecem profundamente e com quem tenho uma troca verdadeira.

– Como é sua relação com a autoestima? Como não se deixar afetar por esses padrões e imposições que perseguem tanta gente em meio à exposição das redes sociais?
– Minha autoestima nunca foi das melhores. Mas agora eu aprendi a curtir o que eu tenho, no tempo que eu tenho. Não quero olhar pra trás e lembrar que não fui à praia, não usei a roupa que eu queria ou que deixei de molhar o cabelo numa cachoeira porque queria ficar bonita. Tem muita beleza em ser o que se é, acho que me apego nisso. Minha autoestima agora é guardada na curiosidade, enquanto eu estiver buscando saber mais das coisas, eu vou me sentir bem. Acho que tirar um pouco essa ideia de que precisamos ser lindas e deslumbrantes para sermos vistas nos deixa muito mais livres para sermos felizes. E, no final, a gente quer mesmo é ser feliz, não malhadas e impecáveis, né?

– Você vai se casar em breve! Como estão os preparativos para esse momento tão especial?
– Eu sempre acreditei no amor, mas sempre tive um pé atrás com relacionamentos. Sempre pareceu que não era para mim. Isso até eu conhecer o Gabriel… Aí, o amor ficou fácil com ele. Estou planejando tudo com muito carinho porque quero que seja uma celebração de quem a gente é, juntos e separados. Que os nossos amigos e familiares lembrem desse dia como um dia feliz, leve, divertido. Então, estou pensando nos mínimos detalhes, zero extravagância, mas muito carinho! l



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