Política

Josias Nunes, motorista inocentado pela morte de JK, morre aos 82 anos

O motorista Josias Nunes de Oliveira, acusado injustamente durante a ditadura militar de ter causado o acidente rodoviário que levou à morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK), morreu nessa terça-feira (16/6), aos 82 anos. O enterro foi realizado no Cemitério Parque dos Indaiás, no interior de São Paulo.

Em 1976, um inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro apontou que o ônibus da Viação Cometa, conduzido por Josias, teria atingido a traseira do Opala em que estava o ex-presidente. Na versão sustentada à época pela ditadura, a colisão teria feito o motorista Geraldo Ribeiro perder o controle do veículo que levava JK, invadindo a pista contrária e batendo contra uma carreta Scania.

Um ano depois, em 1977, Josias foi absolvido da acusação de homicídio em primeira instância. A decisão foi confirmada em segunda instância em 1978, quando o caso acabou arquivado.

Em depoimentos prestados à Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, em 2013 e 2017, o motorista aposentado relatou ter sido hostilizado publicamente e chamado de “assassino de JK” nas ruas, apesar da absolvição.

No último dia 29 de maio, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou o relatório que concluiu que JK e Geraldo Ribeiro morreram em virtude de um acidente causado pela “ação do Estado ditatorial”.

No mesmo comunicado, a comissão informou que deveria “organizar um pedido de desculpas formal a Josias Nunes de Oliveira, motorista do ônibus que foi apontado como suposto causador do acidente, de acordo com a versão oficial da época sobre os fatos”.

Josias, entretanto, morreu antes da formalização do pedido de desculpas.


Metrópoles

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