Leia íntegra de documento da PF com mensagens de Vorcaro sobre Moraes, Gonet e chefe da PF

Um documento da Polícia Federal com mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelou novos detalhes de sua relação com autoridades e integrantes do Judiciário.
O material reúne conversas sobre encontros com o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pedidos de ajuda que citam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, além de tratativas envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado.
Reportagens da Folha mostraram nesta terça-feira (1º) que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso e que mensagens indicam ao menos seis encontros entre os dois. Em outros diálogos, o banqueiro pediu a um interlocutor —que a PF suspeita ser Moraes— que reforçasse sua situação com “Andrei e Paulo”, referências, segundo a investigação, a Rodrigues e Gonet.
A análise da PF também aponta que Moraes fez edições antes da assinatura de um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de sua mulher. Outro documento previa um contrato de R$ 50 milhões, dos quais R$ 40 milhões poderiam ser pagos com cotas de um jatinho e de um helicóptero; a banca afirma que essa segunda proposta não foi aceita nem assinada.
As mensagens ainda mostram a participação de Moraes na organização de um fórum jurídico ligado a Vorcaro e registram que Pedro Gonet, filho do procurador-geral, buscou participar de um evento em Londres com despesas pagas pelo banqueiro, segundo a PF.
Após a divulgação do relatório, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu sua anulação, sob o argumento de que André Mendonça teria determinado uma investigação sobre Moraes sem autorização do plenário do STF.
Para Gonet, a ordem para que a PF analisasse o material apreendido com Vorcaro excedeu os poderes do relator. Mendonça pretende levar a controvérsia ao plenário e deve liberar o processo para julgamento a partir da próxima semana; caberá ao presidente da corte, Edson Fachin, definir a data.
Leia abaixo a íntegra do documento:
Folha de São Paulo


