Lula chama Trump para guerra no teatro do ufanismo

Flávio Bolsonaro (PL) perdeu de lavada para Luiz Inácio da Silva (PT) no quesito tarifaço e disso deu notícia completa a pesquisa Quaest em que o senador gabaritou negativamente o questionário feito sobre o assunto. O eleitorado deu razão a Lula de A a Z.
No universo da política, a avaliação também foi ruim, a começar pelo candidato que já havia reconhecido o prejuízo no pedido do adiamento para não favorecer o adversário. Quem não criticou, calou, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Lula ganhou esse lance, mas corre o sério risco de passar do ponto. Aliás, o presidente já está passando. Mandou o governo se enrolar na bandeira brasileira e tomou a frente do batalhão chamando o americano Donald Trump para travar com ele uma “guerra de narrativas”.
Puro teatro de ufanismo, a fim de espremer até o caroço o fruto do regalo que a tigrada de lá e de cá lhe pôs no palanque. A imagem do governante guerreiro no enfrentamento aos dragões da maldade rende, mas flerta com o descrédito quando contraria o interesse nacional. Não sustenta sem o lastro de respostas concretas aos anseios e demandas do país.
A pergunta que se impõe é a seguinte: por quanto tempo e qual o poder que um tema de comércio exterior tem sobre a decisão do voto do eleitorado premido por dificuldades do cotidiano?
O prolongamento artificial do conflito tem efeito contrário se interditar o prosseguimento das ações de resultados do empresariado, já que a diplomacia entrou na dança da patriotada.
Os dois principais oponentes de hoje se embatem numa troca de acusações que nada tem a ver com as preocupações prioritárias da população, registradas nas pesquisas: segurança, combate à corrupção e serviços públicos prestados de forma razoavelmente adequada.
Dessa cobrança nenhum dos candidatos poderá fugir e todos eles certamente terão se responder a essas necessidades sem recorrer aos subterfúgios fornecidos pela disputa da posse do verde-louro da flâmula nacional.
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Folha de São Paulo



