Lula entra em campo e declara apoios em estados com choque de alianças

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez, nesta semana, movimentos públicos para declarar apoio a candidaturas em dois estados estratégicos do Nordeste, onde havia disputa interna por seu palanque.
A consolidação de alianças competitivas é uma das prioridades da pré-campanha à reeleição. Mas, nos casos da Paraíba e de Pernambuco, mais de um aliado aguardava o aval do chefe do Executivo.
Neste ano, o PT tem priorizado acordos com partidos e nomes considerados mais viáveis eleitoralmente, abrindo mão, em alguns estados, de candidaturas próprias aos governos locais para fortalecer a campanha nacional.
Segundo aliados, os gestos partiram de decisão direta de Lula. As gravações foram feitas de forma improvisada no domingo (14/6), pouco antes de o presidente embarcar para a França, onde participa da cúpula do G7 até esta quarta-feira (17/6), sem estrutura prévia de estúdio ou produção.
Pernambuco
Na segunda-feira (15/6), o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) divulgou vídeo em que Lula declara apoio à sua pré-candidatura ao governo de Pernambuco. No registro, o presidente classifica a aliança entre PT e PSB como um “compromisso histórico” e fruto de uma “relação produtiva”.
Lula também relembra a trajetória conjunta entre os partidos e cita a parceria com Miguel Arraes e Eduardo Campos, pai do ex-prefeito. “Estamos juntos de verdade”, afirmou. Campos agradeceu nas redes: “Tamo junto de verdade, meu presidente”.
A sinalização ocorre em meio a ruídos na base aliada em Pernambuco. Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Milena Teixeira, declarações do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, sobre a possibilidade de Lula dividir apoio entre Campos e a governadora Raquel Lyra (PSD) geraram incômodo no PSB.
Lyra, que busca a reeleição, tem ampliado a aproximação com o governo federal após migrar do PSDB para o PSD.
Aliados de Campos vinham cobrando um gesto mais claro do presidente, visto como ativo eleitoral central no estado. O ex-prefeito é apontado como um dos nomes com potencial de projeção nacional no campo político para herdar o espólio político do lulismo.
Apesar de ter liderado pesquisas ao longo da pré-campanha, levantamentos recentes indicam avanço de Raquel Lyra, que aparece à frente em cenários de primeiro e segundo turno, segundo o Datafolha.
Mais um apoio é fechado
- Como mostrou o Metrópoles, nessa terça-feira (16/6) o presidente nacional do PT, Edinho Silva, confirmou que a sigla decidiu apoiar o vice-governador do Tocantins, Laurez Moreira (PSD), na disputa ao governo estadual nas eleições deste ano.
- O estado era um dos três em que o PT ainda não havia definido quem representaria ou receberia o apoio do partido e do presidente Lula nas corridas aos governos estaduais.
- Uma ala do partido em Tocantins defendia o lançamento de uma candidatura própria e chegou a ensaiar a indicação da ex-ministra e ex-senadora Kátia Abreu, recém-filiada à legenda. A aliança com Laurez Moreira, porém, foi avaliada pela cúpula nacional do PT como mais estratégica e benéfica para o partido.
- Com o palanque de Lula no Tocantins resolvido, o PT ainda precisa fechar as candidaturas aos governos de Goiás e Minas Gerais.
Escolha na Paraíba gera desconforto
Usando a mesma roupa e no mesmo cenário do vídeo gravado de apoio a João Campos, o presidente Lula fez outra gravação. Desta vez, ele aparece apoiando a reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB).
No vídeo, ele relata que “poucas vezes na vida” teve uma “relação honesta e comprometida de ajudar o governo” com um senador como a que tem com Veneziano. “Por isso, eu queria pedir para vocês, eleitores e eleitoras da Paraíba, que reconduzam o Veneziano para o Senado, porque é uma garantia de que, se eu ganhar as eleições, vou ter mais tranquilidade para governar este país”, declarou Lula.
O gesto, porém, contraria interesses do grupo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O principal adversário de Veneziano é o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Motta e pré-candidato ao Senado.
A posição de Lula foi confirmada por Edinho Silva, que reiterou que os candidatos do petista ao Senado no estado são Veneziano e o ex-governador João Azevêdo (PSB). Ele ponderou, contudo, que o apoio não impede a construção de alianças futuras.
Nos últimos meses, Motta vinha se movimentando para estreitar laços com o Planalto e viabilizar uma aproximação entre Lula e seu grupo político, visto que o presidente tem forte influência eleitoral na Paraíba.
O vídeo surpreendeu aliados do presidente da Câmara, sobretudo em meio ao ambiente de maior interlocução com o governo após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1.
Segundo a assessoria do prefeito de Patos, o apoio de Lula a Veneziano “já era uma decisão esperada” e não altera os planos do grupo político. Ao Metrópoles, a equipe afirmou que “em nenhum momento ou cenário existe essa possibilidade de desistência da candidatura de Nabor” e Nabor segue “firme em sua pré-campanha”.
Metrópoles











