Lula reage à decisão de Nunes Marques e diz que presidente do TSE não pode ter lado

Um dia depois de o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, ter determinado a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que o chefe da Corte Eleitoral não pode ter lado político.
“Para ele achar que ele tem que cortar, ele tem que mostrar qual é a ilegalidade que tem. O que não pode é o presidente da Corte Eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento, de procedimento, todos que têm que ter o mesmo direito diante da Justiça Eleitoral. É isso que eu quero. Nada mais que isso”, pontuou o petista.
Em sua decisão, Nunes Marques argumentou que o canal se converteu em vetor de disseminação, em escala nacional, de conteúdos que a Justiça Eleitoral já reconheceu como desprovidos de lastro mínimo.
“O que se afasta não é a mobilização de apoiadores, nem a crítica política contundente, nem o uso das redes sociais para pedir votos. É a utilização de estrutura de transmissão a milhões de pessoas, sob comando único, para replicar conteúdos que esta Corte já reconheceu como inverídicos, com instruções expressas para contornar as salvaguardas que o próprio provedor declarou adotar e a sua eventual atuação efetiva no caso concreto”, afirmou o magistrado.
Horas após a decisão de Nunes Marques, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem do presidente do TSE e reabilitou o funcionamento do canal coordenado por André Janones.
O corregedor pediu que o caso seja analisado em plenário em caráter urgente, preferencialmente em 24 horas.
O mandatário participou de uma missa celebrada no Palácio da Alvorada em homenagem a Nossa Senhora Aparecida.
“No instante em que Nossa Senhora Aparecida é ofendida por alguns religiosos que não querem respeitar a religião do outro. Todos temos que respeitar a fé das pessoas como elas são”, disse o presidente.
Às vésperas do primeiro turno, Nossa Senhora Aparecida foi alçada ao centro do debate eleitoral.
Passaram a circular publicações indicando que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República, teria a intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. Negada pelo filho de Jair Bolsonaro, a informação gerou reação dos adversários, da CNBB e até da justiça.
O tema passou a ser explorado por apoiadores de Lula, o que fez com que o TSE entrasse em campo. Liberou publicações na web sobre o tema, desde que não associem o projeto ao postulante do PL ao comando do Palácio do Planalto.
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