Lula vai a evento do MTST, exalta política habitacional e elogia aliados candidatos em SP

O presidente Lula (PT) exaltou a política habitacional do governo federal na manhã deste sábado (8), em evento de comemoração dos 30 anos da fundação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), em Taboão da Serra (SP).
“Esse país nunca teve um programa habitacional de verdade. Quando comecei a tentar fazer, o máximo que os empresários diziam que era possível eram 200 mil casas. Vamos chegar a 3 milhões de casas contratadas até dezembro”, disse. “Vamos continuar entregando a chave das casas para as mulheres. Casa é um direito constitucional, todo mundo tem direito a morar, todo mundo quer um ninho para criar seus filhotes.”
Lula também direcionou sua fala às mulheres, defendendo a independência feminina e a inserção no mercado de trabalho e aclamando a atuação do governo federal contra o feminicídio. O voto do grupo, que ainda oferece vantagem para o petista, tem sido especialmente disputado pelos principais candidatos à Presidência.
O presidente aproveitou sua fala para elogiar aliados que disputarão as eleições em São Paulo: Fernando Haddad (PT), candidato ao Governo do Estado, e Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), candidatas ao Senado. Lula fez ainda menção a Natalia Szermeta Boulos, que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados. Natalia é mulher de Guilherme Boulos (PSOL), ministro da Secretaria Geral da Presidência.
“A gente não pode falar de eleição, ninguém pode pedir voto aqui. Mas tenho que fazer um reconhecimento”, afirmou o petista antes de tecer os elogios.
Ao citar Marina, que ocupou o ministério do Meio Ambiente na atual gestão, Lula falou sobre os números do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) que indicam queda nos alertas de desmatamento ao menor patamar da série histórica.
Disse, também, que quer mandar os dados para o presidente americano Donald Trump, a quem se referiu como “amigo”, apesar da relação conflituosa. “Esse novo tarifaço que tem para o Brasil, um dos motivos era que não cuidava do desmatamento. Quero preparar os números e mandar para o meu amigo Trump”, afirmou.
Ao mencionar Tebet, que deixou o ministério do Planejamento para disputar o Senado, Lula disse que ela deu uma “demonstração de coragem imensa” mudando para São Paulo para concorrer pelo estado. “As mulheres não vão pedir licença, elas têm direito”, afirmou.
Já a referência a Haddad, que foi ministro da Fazenda nesta gestão, serviu para que o presidente exaltasse índices econômicos de seu governo, como inflação, desemprego e crescimento do PIB. Lula também disse que o aliado foi o melhor ministro da Educação que o país já teve. “Um técnico precisa de sorte e de bons jogadores. Eu tenho muita sorte de ter tido Haddad como ministro da Educação.”
Ao fim do discurso, o presidente segurou um cartaz pedindo o fim da escala 6×1 e convocou a militância para participar do lançamento oficial de sua candidatura no próximo dia 16, em São Bernardo do Campo (SP).
Lula esteve acompanhado no palco da primeira-dama, Janja, e de Boulos, ex-coordenador do MTST. Janja fez uma fala voltada para as mulheres, afirmando que o programa Minha Casa, Minha Vida foi efetivamente retomado com a volta do petista à Presidência e que nele as mulheres são prioridade. “Hoje tem muito mais famílias, mães, mães solo, com a sua casa”, afirmou.
Janja também pediu o compromisso dos homens do movimento para se unirem às mulheres contra o feminicídio, ressaltando que vem “trabalhando muito pelo pacto Brasil contra o feminicídio”. A mulher de Lula voltou ainda a pedir o banimento da plataforma Discord no país após um caso de suicídio ao vivo de uma jovem de 13 anos.
“Só assim a gente pode garantir a segurança de nossas crianças e das mulheres. O que acontece no submundo dessa plataforma é um absurdo. A misoginia corre solta.”
Em seu discurso, Boulos abraçou o discurso de soberania nacional que tem sido explorado pela pré-campanha lulista frente ao conflito com o governo Trump. “Temos uma batalha para enfrentar nos próximos meses. Uma batalha entre a defesa do Brasil e quem quer o Brasil ajoelhado para qualquer potência estrangeira. É quem quer um país soberano que decide o próprio destino, ou quem quer puxa-saco e traidor da pátria no comando da nação”, disse.
O ministro também afirmou que os governos anteriores, de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), acabaram com o Minha Casa, Minha Vida. “Teve um cara que deu um golpe na presidenta Dilma. Uma das primeiras coisas que ele fez foi acabar com o Minha Casa, Minha vida. Passou um tempo, entrou outro pior ainda, um coisa ruim que só fez mal ao nosso país. Durante os quatro anos do governo anterior tivemos zero moradias populares nesse país.”
Folha de São Paulo



