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Meio de campo da Espanha neutraliza Olise para engolir a França; veja estatísticas

A França entrou em campo nesta terça-feira (14), pelas semifinais da Copa do Mundo, tentando bater de frente com a Espanha no que é a especialidade dos ibéricos.

Por mais que tenham começado o jogo pressionando a saída de bola em busca de contra-ataques, os franceses passaram a tentar construir jogadas de pé em pé.

Apesar de talentoso, o meio de campo da França não é tão organizado quanto o da Espanha. Era nítida a dificuldade dos Bleus de atravessar o setor, que tinha ainda a qualidade da marcação por pressão dos ibéricos, outra de suas virtudes. Além disso, o ataque estrelado francês não conseguiu incomodar a saída de bola adversária e demorava para recuperar a bola.

Disputado na intermediária, o jogo foi morno até o gol de pênalti, convertido por Oyarzabal, que deu à Fúria o melhor cenário possível para controlar as ações. Os franceses, que já erravam muito até ali, passaram a falhar ainda mais nos passes e dribles, dada a ansiedade para buscar o resultado.

Mais preparados para os duelos no meio, os volantes espanhóis Rodri e Fabián Ruiz neutralizaram Olise, maior assistente da Copa até aqui, com cinco passes para gol. Nenhum jogador perdeu mais vezes a bola do que ele na partida (20 perdas, ante média de 9 dos outros jogadores).

A forte marcação por ali forçou o francês a jogar mais recuado do que costuma —como mostram os mapas de calor—, ficando mais distante dos companheiros de ataque.

MAPAS DE CALOR

Olise contra a França

Olise ao longo da Copa

Para piorar, Rabiot, um de seus companheiros no meio de campo, levou um cartão amarelo logo no início, dificultando a marcação no setor.

Então os espanhóis sobraram. Foram 14 desarmes certos deles contra 8 dos franceses. Ao mesmo tempo, o meio da Espanha acertou 89% dos passes, ante 76% de precisão dos meias da França.

Com seus armadores dominados, a bola chegava com pouca qualidade ao ataque dos Bleus. Assim, a equipe, que ainda tem o melhor ataque da competição (16 gols), registrou seu menor xG (estatística de expectativa de gols) em uma partida de Copa desde o início da série histórica, em 1966: 0,3. Mbappé, por exemplo, não conseguiu finalizar nenhuma bola na meta.

A Espanha, que era o time mais ineficiente ofensivamente entre os quatro semifinalistas, criou duas chances claras na partida (xG de 1,63), além do pênalti. Em uma delas, com tabelinha em frente à grande área, o lateral-direito Pedro Porro converteu o segundo gol ao melhor estilo de sua seleção.

A semifinal mostrou ainda que não adianta ter o ataque mais eficiente da Copa quando a bola não chega até ele.

Os espanhóis reforçam, relembrando 2010, ano de sua única conquista de Mundial, que a posse de bola pode ser o melhor defensor de um time: nenhum jogador da equipe figura entre os líderes de desarmes da Copa, apesar de serem a m elhor defesa do campeonato, com apenas um gol sofrido.


Esporte / Folha de São Paulo

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