Economia

Mercado Livre lidera corrida por galpões; Shopee ocupa 1,7 mi de m², diz Binswanger






O crescimento da demanda por condomínios logísticos e industriais de alto padrão começa a pressionar a disponibilidade de galpões no Brasil. No terceiro trimestre de 2026, a oferta existente seria suficiente para atender apenas seis meses de demanda, caso nenhum novo empreendimento fosse entregue, segundo levantamento da Binswanger Brazil. Um ano antes, essa relação era de 11 meses.

A pressão é impulsionada principalmente pelo comércio eletrônico, que continua ampliando sua presença em empreendimentos bem localizados e com infraestrutura de padrão elevado.

Entre julho e setembro, 39% da área dos galpões ainda em construção já estava pré-locada, indicando que parte da demanda busca garantir espaço antes mesmo da conclusão das obras.

“Os planos de expansão das empresas podem esbarrar na falta de galpões. Cada vez mais, a pré-locação de áreas é necessária para assegurar empreendimentos de qualidade nas localizações mais desejadas”, afirma Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger.

O avanço da procura ocorre em um mercado com disponibilidade cada vez menor. A taxa de vacância dos condomínios logísticos de padrão A+ e A recuou para 4,9% no terceiro trimestre, ante 5,4% no segundo trimestre e 7,9% no mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, o preço pedido de locação atingiu o recorde de R$ 35,15 por metro quadrado, acima dos R$ 29,34 registrados entre abril e junho e dos R$ 27,57 de um ano antes.

A absorção também permaneceu elevada. A absorção bruta — que considera o total de áreas ocupadas no período — alcançou 1,5 milhão de metros quadrados no terceiro trimestre, enquanto a absorção líquida, que desconta as devoluções, somou 1 milhão de metros quadrados. Nos últimos quatro trimestres, a contratação líquida acumulou 4 milhões de metros quadrados, o maior volume já registrado pela consultoria para um intervalo de 12 meses.

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E-commerce lidera corrida por galpões e Mercado Livre amplia vantagem

As empresas de comércio eletrônico responderam por 38% da absorção bruta no terceiro trimestre, acima dos 33% registrados no trimestre anterior. O Mercado Livre, maior ocupante de galpões do país, liderou as movimentações, com duas das maiores locações do período: 78 mil metros quadrados no KSM Log Guarulhos e 62 mil metros quadrados no Marq Logistics Bandeirantes, conforme o levantamento da Binswanger.

Ao todo, o Mercado Livre realizou 14 locações em condomínios logísticos A+ e A, que somaram 417 mil metros quadrados entre julho e setembro. Desse total, 272 mil metros quadrados estavam no estado de São Paulo.

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Com as novas contratações, a empresa chegou a 3,7 milhões de metros quadrados ocupados nesse perfil de empreendimento.

A Shopee, segunda colocada entre os maiores inquilinos do país nesse segmento, ocupa 1,7 milhão de metros quadrados. A varejista contratou 156,2 mil metros quadrados no trimestre. Sua maior movimentação foi a expansão de 48,3 mil metros quadrados no Parque Logístico Guarulhos II, seguida pela locação de 42,7 mil metros quadrados no CMP 2 — Condomínio Modular Piracicaba 2.

Fora as duas gigantes do comércio eletrônico, outras empresas também ampliaram sua presença em condomínios logísticos. A Kothe contratou 62 mil metros quadrados no Marq Logistics Bandeirantes I, enquanto o Tecadi Group alugou 58 mil metros quadrados no Ciway 470. A Editora FTD, por sua vez, ocupou 45 mil metros quadrados no Distribution Park Embu.

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Novo estoque cresce, mas não elimina pressão sobre a oferta

O mercado recebeu 858 mil metros quadrados de novo estoque no terceiro trimestre. O volume foi 45% superior aos 591 mil metros quadrados entregues no segundo trimestre, mas ficou 3,9% abaixo dos 893 mil metros quadrados adicionados no terceiro trimestre de 2025.

Apesar das novas entregas, a combinação entre absorção elevada e baixa vacância mantém a disponibilidade pressionada. O fato de a oferta existente cobrir apenas seis meses da demanda atual, ante 11 meses um ano antes, indica que a entrada de novos empreendimentos será importante para acomodar os planos de expansão das empresas.

A perspectiva é de ampliação relevante da oferta no curto prazo: segundo os dados apresentados pela consultoria, mais de 3 milhões de metros quadrados de novo estoque ainda estavam previstos para o quarto trimestre de 2026.

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