Mesmo com saída recorde de estrangeiros, o que fez Ibovespa subir?

O Ibovespa fechou a semana passada com alta de 2,5%, aos 171.032 pontos. Nesta semana, o índice já anima, com avanço na sessão de segunda-feira (24), com mais 0,86%, aos 171.906,72 pontos, e virando para o positivo nesta terça (25).
A alta de hoje acontece mesmo com recuo de petróleo no exterior pela segunda sessão seguida, levando Petrobras (PETR4; PETR3) e demais petroleiras para viés negativo.
Após semanas de fluxo estrangeiro negativo e com recorde de saídas desde que os dados são acompanhados, a alta do índice fez investidores questionaram se a tendência teria revertido. Mesmo com ligeira retração desde 20 de agosto e 21 de agosto, quando o acumulado do mês saiu de R$ 23.202,7 bilhões negativos para R$ 21.442,7 bilhões, um retorno de gringos não parece ser a explicação para a alta do Ibov.

Menos mencionados que os estrangeiros, o fluxo de fundos também ficou negativo na categoria de ações ativo, com saída de R$ 1,4 bilhão no mês. Já fundos multimercados apresentam entrada líquida de R$ 1,4 bilhão no mesmo período.
Petróleo segue sustentando índice
Em relatório sobre os destaques da semana, analistas do Itaú BBA afirmam que a alta foi impulsionada pelo fechamento da curva de juros. O índice superou o desempenho do IDIV (+2,2%) e do índice das Small Caps (+2,1%). Mesmo assim, o relatório faz a ressalva de que o principal índice da Bolsa brasileira ainda opera no negativo em agosto, com perda de 3,9%, mesmo com alta no acumulado do ano (+6,5% em 2026).
Quando comparado com os mercados emergentes, o mercado brasileiro ainda apresenta desempenho inferior, com retorno de -3,5%, enquanto outros índices de emergentes registram ganho total de 3,2%.
Na semana, o desempenho foi puxado pelos setores de agronegócio, papel e celulose e petróleo, gás e petroquímicos. Este último, considerando a alta de 34,29% da Petrobras (PETR4) só em 2026, tem sustentado o índice mesmo com a saída de capital estrangeiro. As maiores contribuições para o Ibovespa vieram de Embraer (EMBR3), Petrobras (PETR4; PETR3), Weg (WEGE3), Vale (VALE3) e Ultrapar (UGPA3).
A ponta negativa foi formada praticamente pelos maiores bancos brasileiros, com destaque para Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3). Além deles, figuram também Sabesp (SBSP3) e Itaúsa (ITSA4).
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Para além de uma eventual recuperação do fluxo estrangeiro, o banco aponta para o risco atrelado às revisões de lucro negativas. Após a temporada de resultados do segundo trimestre, que foi marcada por dados pouco empolgantes para investidores e cautela em alguns setores (caso de bancos, por exemplo), o consenso de lucro líquido foi reduzido para 2,2%. As melhores revisões ficaram para o setor industrial (+2,8%) e consumo discricionário (+1,3%). Já materiais básicos (-7,8%) e saúde (-3,7%) ficaram na ponta negativa.
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