Política

Mulher de general Villas Bôas será candidata a deputada federal com bandeira de acessibilidade

Esposa do general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército de 2015 a 2019 (governos Dilma e Temer), Aparecida Villas Bôas, conhecida como Cida, terá sua candidatura a deputada federal pelo Novo do Distrito Federal lançada nesta sexta (31).

“Mobilidade e acessibilidade; saúde da população carente e educação” foram anunciadas por Cida como suas bandeiras de campanha. Numa publicação em rede social, ela se diz “reconhecida por sua dedicação ao cuidado com o próximo” e afirma que “esteve ao seu lado [do marido] em momentos decisivos, sendo apoio firme diante dos desafios”. Afirma ainda carregar as causas “dos cuidadores e das famílias, representando a força de quem cuida e transforma realidades”.

O general Villas Bôas sofre de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), uma doença degenerativa, se locomove com cadeira de rodas e não consegue falar. Comunicava-se com o auxílio de um programa no qual conseguia digitar a partir do movimento dos olhos, mas, segundo amigos que o visitaram recentemente, mesmo essa comunicação está prejudicada pelo avanço da doença.

Quem convidou Cida Villas Bôas para se filiar ao Novo e ser candidata foi o desembargador aposentado Sebastião Coelho, que será candidato ao Senado pelo partido (também no DF) e ficou conhecido nacionalmente por fazer a defesa do primeiro condenado pelos ataques de 8 de Janeiro e dizer, no plenário do STF, diante dos ministros, que eles eram “as pessoas mais odiadas do Brasil” .

Cida é conhecida também pelo apelido de “Dona Onça”, dado pelo marido. “Aprendi a enfrentar batalhas sem perder a humanidade e a proteger os meus com coragem. Talvez tenha sido daí que nasceu a ‘Dona Onça’, escreveu ela numa rede social.

Em sua apresentação, conta que foi “atleta de vôlei, miss em Cruz Alta [cidade do RS onde conheceu o marido] e professora de educação física”, além de ter implementado no Exército o “Curso de Extensão Cultural da Mulher” e participado “de projetos sociais como as Jovens Guerreiras, o Rompendo Mais Fronteiras e o Instituto General Villas Bôas”.

Na época em que bolsonaristas acamparam em frente a quarteis pelo país pedindo um golpe, circularam na internet vídeos em que Cida foi saudada no acampamento em frente ao QG do Exército em Brasília e outro em que ela passou no local dentro de uma van com vidros escuros e fez um gesto de que o marido estava na parte de trás do veículo.

Um dos principais responsáveis pela politização do Exército iniciada no governo Michel Temer e ampliada por Jair Bolsonaro, Eduardo Villas Bôas foi o autor, em abril de 2018, do célebre tuíte em que pressionou o Supremo Tribunal Federal às vésperas do julgamento de um habeas corpus impetrado por Lula –o HC terminou negado e o petista foi impedido de concorrer na eleição daquele ano; dois dias depois, foi preso, por decisão do então juiz Sergio Moro.

Após deixar o comando do Exército, Villas Bôas foi nomeado assessor especial do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) no governo Bolsonaro, cargo que ocupou até julho de 2022. Mesmo após sua saída, continuou a ser consultado por oficiais em momentos críticos da política, como em dezembro daquele ano.

No mês que antecedeu os ataques de 8 de janeiro, e no qual foi engendrada a trama golpista, o então presidente Bolsonaro (já derrotado na campanha à reeleição) e o general Braga Netto (candidato a vice) visitaram Villas Bôas em sua casa, assim como o general Tomás Paiva, que viria a ser nomeado por Lula comandante do Exército.


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Folha de São Paulo

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