Não fazemos política para o secretário dos EUA, diz ministro Durigan

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifa extra de 25% aos produtos brasileiros. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16/7), o ministro criticou uma declaração feita pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
“É inadmissível que isso aconteça a essa altura do campeonato. A politica interna econômica é feita para os seus cidadãos e não para um secretário de estado estrangeiro”, afirmou o ministro.
Após anúncio das tarifas na noite de quarta-feira (15/7), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, usou as redes sociais para responsabilizar o governo Lula pela medida. De acordo com ele, o governo brasileiro não “não negociou de boa-fé” com as autoridades estadunidenses.
“Hoje, o presidente Trump determinou que o USTR imponha uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Não há confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, disse.
Durigan condenou o tarifaço e o classificou como “uma interferência externa inadmissível do ponto de vista do governo.”
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do Metrópoles
“Essa medida baseada em motivação falsa fere o senso mais básico do nosso patriotismo, em especial quando a oposição usa disso como interesse eleitoral”, afirmou o ministro.
A coletiva contou com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Dario Durigan (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), João Paulo Capobianco (Meia Ambiente), da secretária de Justiça, Maria Rosa Guimarães, e do presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo.
Apoio a setores prejudicados
O vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o governo federal vai lançar um programa de apoio para os setores econômicos que forem prejudicados pelo tarifaço dos Estados Unidos. O anúncio foi feito durante a coletiva de imprensa desta quinta-feira.
“O governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas”, afirmou Alckmin em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (16/7).
Alckmin ainda classificou a medida como “injusta e descabida”. “A medida é injusta e descabida. Injusta porque se pegarmos os dados, nos últimos 15 anos os EUA tiveram superávit na balança comercial e não déficit”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin informou que o governo estuda aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA — que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras unilaterais a produtos nacionais.
“Nós temos uma lei (da Reciprocidade), aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e que o governo, no momento adequado, saberá implementá-la”, afirmou.
Tarifaço
Na noite da última quinta-feira (15/7), os Estados Unidos decidiram taxar as exportações em 25% após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras que poderiam impactar os EUA.
Após a conclusão da investigação, o governo brasileiro tentou negociar com representantes americanos, no entanto, o diálogo entre as equipes não resultou em reversão das taxas.
O governo se pronunciou sobre o assunto e condenou a imposição de tarifas, chamando a medida de desproporcional e inaceitável.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia antecipado a possibilidade de utilização da Lei de Reciprocidade caso as tarifas fossem efetivadas. O que foi confirmado em nota divulgada pela Presidência da República.
“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, afirmou o texto.
- A Lei da Reciprocidade permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras unilaterais a produtos nacionais.
Lista de exceção
Apesar da aplicação das tarifas, os EUA apresentaram uma lista de exceção para produtos que são considerados essenciais para a cadeia de consumo americana, buscando evitar um aumento nos preços internos, como aconteceu no tarifaço anunciado em 2025. Produtos como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja ficarão fora do novo tarifaço, que será imposto a partir do dia 22 de julho.
Veja os produtos que serão impactados:
- Produtos industriais e máquinas: maquinário agrícola, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem e componentes de borracha para veículos.
- Bens de consumo: calçados, vestuário e papel.
- Commodities e alimentos: etanol, açúcar orgânico e molduras de madeira.
- Celulose de dissolução: celulose de dissolução de alta pureza, que foi removida da lista de isenções proposta anteriormente.
- Produtos químicos de uso geral: certas substâncias químicas (como celulose e fosfoaminolipídeos) só estão isentas quando destinadas a aplicações farmacêuticas; o uso dessas mesmas substâncias em outras indústrias será taxado.
Metrópoles



