Política

Nikolas minimiza áudio com Vorcaro e diz que investigação não lhe atribui nenhum crime

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou a VEJA que um relatório da Polícia Federal não identificou indícios de crimes de sua parte na conversa com o então banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o documento citado pelo parlamentar, “não foram identificados indícios suficientes para sugerir a abertura de inquérito específico ou adoção de medidas investigativas em face do deputado Nikolas Ferreira”.

A manifestação ocorre após áudios obtidos pela Polícia Federal e revelados pelo ICL Notícias mostrarem Nikolas procurando Vorcaro para pedir ajuda na liberação de um ativo de mineração em favor de Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor de seu gabinete. Na conversa, gravada em março de 2025, o deputado afirma que gostaria de ter “mais proximidade” com o banqueiro e pede que ele ajudasse o advogado. Vorcaro responde: “Deixa comigo”.

No mesmo contato, Nikolas se desculpa por críticas anteriores ao Banco Master. O deputado havia questionado um evento em Londres financiado pela instituição e que reuniu ministros de Cortes superiores. “Pastor [André Valadão], eu não fazia ideia que era este o banco do Dani etc. e tudo, senão, obviamente eu não teria postado”, afirma na gravação. Ao se despedir, chama Vorcaro de “lindão”.

Em vídeo, Nikolas negou que chamou Vorcaro de “lindão”, mas admitiu que mandou áudios para o banqueiro. Em uma publicação em seu Instagram, ele contou como o pastor André Valadão, amigo em comum dos dois, passou o contato de “Dani Vorcaro” para negociar com o seu advogado a venda de ativos. Nikolas também admitiu que Vorcaro foi um dos financiadores das viagens da campanha eleitoral de Nikolas em 2022.

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De acordo com a investigação da PF, o escritório de Thiago Rodrigues de Faria mantinha contrato com a empresa Gmais e poderia receber 25% de uma eventual operação relacionada à liberação da lavra de mineração de Topázio Imperial, em Ouro Preto (MG). A comissão é estimada pela investigação entre 30 milhões de dólares e 45 milhões de dólares. A área estava embargada pelo Ministério Público Federal por questões relacionadas ao risco de rompimento de uma barragem.

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Mensagens obtidas pelos investigadores também mostram Vorcaro reclamando das críticas públicas feitas por Nikolas. Em uma delas, o então banqueiro afirma ter “bancado todos os voos dele”.

Procurado pela VEJA, Nikolas citou o relatório da PF para afirmar que não há elementos que justifiquem uma investigação específica contra ele. A conclusão mencionada pelo deputado, no entanto, diz respeito à existência de indícios de crime atribuíveis a Nikolas e não elimina os demais elementos registrados pela investigação sobre a conversa, a atuação de seu ex-assessor e a negociação envolvendo a área de mineração.

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