‘Nunca fui esquerdista’, diz Lula em áudio vazado de conversa com líderes no G7

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em conversa informal com a diretora do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz, na cúpula do G7, na França, que nunca foi de esquerda e que acredita que o mundo deve seguir “o caminho do meio”. A declaração circula nas redes sociais em um áudio vazado da conversa.
“O mundo não é de esquerda, o mundo é do caminho do meio. Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical, que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a Espanha”, afirmou Lula.
A declaração, apesar de ser feita fora do Brasil, ocorre durante o período pré-eleitoral no qual Lula disputará a reeleição e tem como principal oponente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), representante da direita bolsonarista. Outros candidatos de centro tentam se viabilizar, mas não tem tido sucesso contra a polarização. Para sustentar o discurso de que caminha pelo centro, Lula — que é o presidente mais de esquerda que o Brasil já teve — manterá o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB) na sua vice, repetindo o discurso vitorioso de 2022 de que faria um governo de frente ampla.
Em outro momento da cúpula do G7 vazado em áudio, ao falar com o líder da Coreia do Sul, Lee Jae-myun, Lula também criticou o comportamento do governo dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump. O petista diz que “não gosta de briga” e que “não tem divergência com nenhum país”, no entanto, logo em seguida, afirma: “Eu não suporto o comportamento do governo americano”.
As falas foram captadas parcialmente nesta quarta-feira, 17, por uma equipe da agência de notícias Associated Press, enquanto os líderes, já perto dos microfones, conversavam antes de abertura da reunião.
Em discurso oficial durante a cúpula, um dia antes, Lula já havia criticado abertamente “o protecionismo e o unilateralismo” e defendido o respeito à soberania de países na luta contra o crime transnacional. A fala foi feita praticamente frente a frente com Trump, que estava sentado no lado oposto da mesa.
O discurso faz referência direta às ameaças de Washington de impor um novo tarifaço de 25% a produtos brasileiros e à decisão de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas.
Lula e Trump não se cumprimentaram na chamada “foto de família”, que reúne todos os líderes e convidados, na terça-feira, 16. Apesar do desencontro durante a foto, auxiliares ouvidos pela coluna Radar, de VEJA, afirmaram que o presidente brasileiro antecipou a ida à reunião do G7 para tentar viabilizar um encontro bilateral com Trump.
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