‘O Brasil vem sendo o paraíso dos bandidos’, diz Zema sobre segurança pública

O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) defendeu, em sabatina a VEJA nesta quinta-feira, 3, um endurecimento das políticas de segurança pública e afirmou que o Brasil se tornou um “paraíso dos bandidos”. Ex-governador de Minas Gerais, Zema disse que pretende ampliar a cooperação do país com outras nações no combate ao crime organizado e propôs mudanças na legislação para aumentar a punição a criminosos reincidentes.
“Se alguém cometeu três delitos, três, na audiência de custódia já teria a prisão preventiva decretada”, afirmou. Para ele, a medida seria necessária diante da reincidência de criminosos. Zema citou o caso de uma pessoa que, segundo relatou, teria cometido 88 delitos e continuaria em liberdade. “Acho que nós estamos fazendo aqui uma fábrica de bandidos”, disse.
O candidato também defendeu que o rompimento de uma tornozeleira eletrônica resulte automaticamente em prisão. Na avaliação dele, a violação do equipamento deveria ser tratada como equivalente a uma fuga do sistema prisional, sem a necessidade de uma nova decisão judicial para determinar a prisão.
Zema afirmou ainda que pretende dar maior autonomia às polícias para realizar abordagens. Segundo ele, policiais militares estariam cada vez mais receosos de agir diante da possibilidade de responder judicialmente por suas condutas.
“Quando o problema custa vidas, e aqui no Brasil está custando mais de 40 mil vidas por ano, você tem de fazer um esforço gigante para mudar esse cenário”, afirmou.
Zema comparou o número de mortes violentas no país à queda diária de um avião de grande porte. Para ele, a dimensão da violência acabou sendo naturalizada pelos brasileiros. “Será que é normal um avião grande cair todo dia e todo mundo continua tocando a vida? ”, questionou.
O candidato também criticou o que considera excesso de garantias para criminosos e citou as audiências de custódia como exemplo. Ao mesmo tempo, procurou fazer uma distinção entre endurecimento penal e autoritarismo.
“Eu gosto de democracia, não quero nada de ditadura”, afirmou. Segundo Zema, as medidas que defende têm como objetivo fazer com que a lei seja efetivamente cumprida, e não retirar direitos.
O candidato também mencionou propostas elaboradas pelo Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), formado pelos governadores dessas regiões. Disse ter levado as sugestões ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, em 24 de agosto.
Ao tratar do crime organizado, ele afirmou que cerca de 60 milhões de brasileiros vivem hoje em áreas que, em sua avaliação, não são mais controladas pelo Estado, mas por facções criminosas. Para enfrentar o problema, defendeu cooperação internacional com Estados Unidos, países europeus, Peru, Colômbia e Bolívia.
Na avaliação do candidato, o combate ao crime precisa incluir também os países produtores de cocaína e as rotas internacionais do tráfico. “O Brasil precisa ser dos brasileiros de novo”, afirmou.
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