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O Irã é a seleção mais azarada da Copa do Mundo?

Tristeza é algo esperado em uma Copa do Mundo.

Por trás de cada momento de glória, há uma história de azar —uma nação lamentando sua sorte e injustiças que levaram à sua queda.

Ainda assim, poucas situações se comparam à crueldade que o Irã enfrentou nesta Copa.

Enfrentando desafios sem precedentes antes mesmo de a bola rolar, a equipe dirigida pelo técnico Amir Ghalenoei esteve muito perto da vaga no mata-mata —apenas para vê-la escapar no último momento… não uma, mas duas vezes.

Apesar de invicto na fase de grupos, o Irã perdeu a vaga na fase eliminatória por causa do saldo de gols. Mas a história da sua eliminação foi ainda muito pior…

GOL SALVADOR DO IRÃ NOS ACRÉSCIMOS É ANULADO

Após empates contra Nova Zelândia e Bélgica, o Irã sabia que uma vitória sobre o Egito, em Seattle, garantiria a classificação para o mata-mata.

O Irã começou perdendo logo cedo, mas reagiu bem. E embora o atacante Mehdi Taremi tenha perdido um pênalti, Ramin Rezaeian empatou o jogo com um chute preciso, quase sem ângulo.

A partida seguiu empatada até os acréscimos do segundo tempo, quando o iraniano Shoja Khalilzadeh marcou um gol após uma confusão na área.

O gol foi muito comemorado, com Khalilzadeh tirando a camisa —pelo que recebeu cartão amarelo— e posando para uma foto com óculos escuros.

No entanto, a alegria logo virou angústia quando o gol foi anulado por impedimento. O impedimento foi no limite —com a ponta do pé de Khalilzadeh ligeiramente à frente do penúltimo defensor do Egito.

A partida terminou 1 a 1, o que significava que o Irã teria de esperar pelo desfecho de outros jogos para descobrir se avançaria, pela primeira vez, à fase mata-mata da Copa do Mundo.

GOL AOS 51 MINUTOS DO 2º TEMPO ELIMINA O IRÃ

O Irã teve de esperar até os jogos finais da fase de grupos para descobrir seu destino. Argélia contra Áustria era o confronto decisivo —e uma vitória de qualquer uma das equipes favoreceria o Irã.

Um jogo emocionante parecia destinado a terminar 2 a 2, eliminando o Irã, até que Riyad Mahrez arrancou em direção ao gol e colocou a Argélia na frente aos 48 minutos do segundo tempo.

Com apenas alguns instantes restantes, o Irã estava novamente muito perto da vaga. Mas o drama não terminou ali. Em um último ataque, a Áustria conseguiu empatar com um cabeceio de Sasa Kalajdzic, a poucos segundos do fim.

Pela segunda vez em 24 horas, a alegria do Irã foi tirada no último momento.

O saldo de gols superior do Senegal garantiu aos africanos a última vaga entre os terceiros colocados. Já o Cabo Verde, que assim como o Irã havia empatado os três jogos da fase de grupos, avançou em segundo lugar no Grupo H.

‘O PAÍS ANFITRIÃO NOS TRATOU DE FORMA MUITO INJUSTA’

O fato de o Irã ter chegado tão perto da classificação já é notável por si só, considerando os obstáculos únicos que teve de superar. O Irã disputou a Copa do Mundo em meio ao contexto do conflito do país com os EUA e Israel.

A base de treinamento da seleção para a Copa foi transferida do Arizona para Tijuana, no México, antes do início do torneio, e a equipe enfrentou restrições de viagem durante toda a competição.

O Irã só foi autorizado a entrar nos EUA no dia anterior aos seus dois primeiros jogos e teve de sair novamente no mesmo dia da partida, nos termos de seus vistos. Posteriormente, Ghalenoei descreveu sua equipe como a “mais oprimida” do torneio.

Ele disse que o elenco foi “privado” de tempo de preparação e teve “menos da metade” da janela de treinos necessária, enquanto outras equipes desfrutaram de condições normais.

Essas restrições de viagem foram flexibilizadas para o jogo em Seattle, permitindo que a equipe chegasse dois dias antes, mas teve de retornar a Tijuana após a partida.

Após o jogo, Ghalenoei voltou a expressar sua frustração: “Aos meus jogadores e à equipe, quero dizer que estou orgulhoso deles”.

“O que estes jovens, estes jogadores fizeram deveria ser registrado na história, porque o país anfitrião nos tratou de forma muito injusta.”

“Apesar de todos esses problemas, conseguimos ter um bom desempenho e o mundo está orgulhoso dos iranianos e da nossa equipe.”

“Apelo à Fifa: não deixem que anfitriões tratem jogadores e equipes da mesma forma nas próximas Copas do Mundo.”

Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Este texto foi publicado originalmente aqui.


Esporte / Folha de São Paulo

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