Política

O que disse diretor da AtlasIntel sobre pesquisa que foi suspensa por Nunes Marques

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A pesquisa AtlasIntel divulgada na terça, 19 de maio, foi anunciada como a primeira que mediria o impacto eleitoral do escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No dia da divulgação, o diretor de risco político da AtlasIntel, Yuri Sanches, afirmou ao programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal,  que o episódio produziu um “momento de fragilidade” para a pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O levantamento, no entanto, nasceu polêmico – e, nesta segunda, 8, foi suspenso por Nunes Marques após pedido da defesa de Flávio.

O caso ainda será levado ao plenário do TSE. Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparecia com 47% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registrava 34%. No segundo turno, Lula chegava a 48,9%, contra 41,8% do senador. Para Sanches, a queda de Flávio está diretamente associada ao desgaste provocado pelo vazamento dos áudios revelados pelo Intercept Brasil. “Esse é o primeiro grande baque que Flávio sofre na candidatura”, afirmou, na época.

Por que o PL atacou a pesquisa AtlasIntel?

Segundo Nunes Marques, a Atlas não poderá “promover nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa” até que o plenário do TSE avalie o caso. O caso ainda não foi incluído na pauta, mas há uma sessão presencial agendada para esta terça, 9. O ministro explicou que ainda não analisou o levantamento em si, mas que a manutenção da pesquisa poderia “potencializar efeitos de difícil reversão no contexto do processo eleitoral”. Ele disse ainda que, se não houver nenhuma irregularidade, a pesquisa pode voltar a ser veiculada.

Além da suspensão da divulgação, Nunes Marques também determinou que o instituto apresente documentos técnicos explicando os pontos contestados pela defesa de Flávio.

Como a AtlasIntel se defende no caso?

Marcela Rahal questionou Sanches sobre as críticas feitas pelo PL à pesquisa, após o partido entrar com pedido de impugnação do levantamento. Segundo dirigentes bolsonaristas, a pesquisa teria induzido respostas ao reproduzir o áudio envolvendo Flávio e Vorcaro.

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Yuri garantiu que o procedimento metodológico foi separado do questionário eleitoral justamente para evitar qualquer contaminação dos resultados. “O respondente responde todo o questionário — aprovação, avaliação do governo, intenção de voto — e submete tudo antes de qualquer contato com o áudio”, explicou.

Segundo ele, somente após a conclusão da pesquisa eleitoral os participantes eram convidados a ouvir o material em uma interface separada da plataforma. “Ele posiciona o dedo em uma escala e arrasta para a direita ou esquerda conforme gosta ou não do conteúdo, permitindo gravar quais momentos específicos foram mais danosos para o eleitorado. Não existe contaminação na amostra”, afirmou.

Quantas pessoas ouviram o áudio de Flávio

O instituto reproduziu o áudio de Flávio a Vorcaro para parte dos entrevistados. Dos 5.032 participantes do levantamento, 1.412 ouviram a gravação. O CEO da Atlas, Andrei Roman, também explicou que o áudio fazia parte de um módulo separado da pesquisa, para avaliar o sentimento dos eleitores ao longo da conversa entre o senador e o banqueiro. Ele reiterou que, como a reprodução teria sido posterior às respostas sobre preferência eleitoral, a pesquisa de intenção de voto não teria sido influenciada.

A equipe de Flávio, no entanto, contesta as afirmações. Antes mesmo da divulgação dos resultado, a defesa do senador já entrou com a representação no TSE pedindo a impugnação da pesquisa, citando “danos irreparáveis”. Para eles, a ordem das questões induz claramente o eleitor a relacionar o senador ao banqueiro.

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