Economia

UBS BB muda estratégia em commodities e prefere petróleo e aço a minério; veja ações

A escalada das tensões no Oriente Médio provocou uma reviravolta profunda na dinâmica dos mercados internacionais de ativos reais. De acordo com o relatório setorial do UBS BB, divulgado nesta segunda-feira (8), o cenário anterior, que apontava para um ciclo de valorização puxado pela demanda em meio ao corte de juros e ao enfraquecimento do dólar, foi completamente substituído por um estrangulamento na cadeia de suprimentos de energia. 

Os analistas afirmam que antes do conflito, investidores calibravam suas carteiras para a chamada operação de desvalorização ou HALO (debasement/HALO trade), estratégia de proteção inflacionária em que o capital deixa portos seguros em dólar para comprar bens tangíveis e físicos, mas essa tese baseada no consumo perdeu força.

O relatório detalha que, conforme suas projeções macroeconômicas, a persistência de patamares mais altos para o petróleo alterou drasticamente a relação global entre atividade econômica e índices inflacionários. 

Vários bancos centrais ao redor do mundo aceleraram o aperto monetário e os operadores já precificam uma postura mais dura do Federal Reserve para o encerramento do ano, fortalecendo a divisa norte-americana. 

“Mas agora, não estamos mais falando de uma reprecificação pelo lado da demanda; em vez disso, estamos enfrentando um choque de oferta de petróleo, e muitos daqueles pilares anteriores estão agora sendo desafiados”, diz o relatório. “Preços de petróleo mais altos por mais tempo são agora um fato dado (estimativas do UBS em US$ 90/bbl (barril) para 2026 e US$ 80/bbl para 2027), o que está piorando o mix global de crescimento-inflação”.

Estratégia de alocação de capital

Diante do risco iminente de uma desaceleração sincronizada nas principais economias, os analistas adotam uma postura bem mais defensiva. No entendimento do banco, os custos proibitivos da energia devem, inevitavelmente, comprometer o consumo de insumos industriais básicos no cenário global. 

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“Este cenário deve, em última análise, levar à destruição da demanda por commodities, e nos tornamos mais cautelosos quanto à continuidade de um desempenho superior generalizado nas ações de commodities”, afirmam.

Nesse ambiente de maior aversão ao risco, os analistas preferem concentrar suas recomendações em companhias exportadoras de petróleo e em indústrias siderúrgicas protegidas por regimes tarifários locais, preterindo cadeias de extração mineral e a cadeia de celulose. As preferências da instituição para a região recaem sobre a Petrobras (PETR4), a Prio (PRIO3) e a Usiminas (USIM5), além da Gerdau (GGBR4).

No segmento de combustíveis, embora uma correção técnica passageira seja esperada após o fim das hostilidades, as cotações do barril do tipo Brent devem seguir firmes no médio prazo devido ao esvaziamento dos estoques globais, que atingiram o menor nível em cinco anos. 

“Dito isso, mesmo que o conflito se abrande no curto prazo, acreditamos que os preços do petróleo provavelmente continuarão sustentados em US$ 80-90/bbl”, diz o documento. A principal escolha dos analistas é a Prio, com um retorno de fluxo de caixa livre (FCL) por ação estimado em 18% para 2026 e 25% para 2027, sem considerar fusões e aquisições (M&A). 

A Petrobras (PETR4) aparece na sequência com rendimento de dividendos projetado em 11% para 2026, embora os analistas façam um alerta para a existência de ruídos políticos na estatal.

Barreiras alfandegárias blindam o setor siderúrgico

A tese de investimento traçada para o aço baseia-se na resiliência operacional garantida por mecanismos protecionistas regionais. Conforme aponta o relatório, desde o início dos confrontos no Oriente Médio, as ações de usinas siderúrgicas localizadas em áreas com escudos comerciais ativos apresentaram uma valorização bem superior à das mineradoras de metais básicos. 

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Os analistas explicam que o mercado aceita pagar um prêmio por empresas mais isoladas das oscilações econômicas globais, impulsionadas pelo bom momento de preços e lucros. 

“Na nossa visão, os investidores parecem estar pagando um prêmio pela história idiossincrática do lado da oferta no espaço do aço, visto como mais ‘isolado’ de um potencial choque de demanda, devido aos ventos favoráveis de oferta, mais o momento de preços/lucros”, diz o relatório. 

Ao longo do último ano, governos do Brasil, México e Estados Unidos elevaram suas alíquotas alfandegárias, travando a enxurrada de produtos importados e abrindo espaço para reajustes nos preços locais.

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Sinais mistos no cobre

No mercado de metais não ferrosos, os preços do cobre negociados na Bolsa de Metais de Londres mostraram forte poder de recuperação e retornaram para marcas históricas acima de US$ 14 mil por tonelada.

Apesar das pressões de curto prazo causadas pelo encarecimento da energia na atividade fabril tradicional, os analistas afirmam que o cenário estrutural de longo prazo permanece intacto, amparado por cortes sucessivos nas projeções de produção de grandes minas globais. 

Para o minério de ferro, o cenário de investimentos perdeu o ímpeto macroeconômico e a recomendação para a Vale (VALE3) passou a ser neutra. Os analistas explicam que a sustentação recente das cotações em US$ 101 por tonelada não decorre de um consumo aquecido, mas sim de um deslocamento para cima na curva de custos operacionais globais, puxado principalmente pela disparada dos fretes marítimos após o conflito. 

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Os custos de transporte na rota Brasil-China saltaram de US$ 20,00 para US$ 35,00 por tonelada, enquanto o trajeto entre a Austrália e a China subiu de US$ 8,00 para US$ 15,00 por tonelada. 

Em contrapartida, as siderúrgicas chinesas mantêm sua produção estagnada ou em ritmo de queda. “Por fim, vemos a Vale negociando a um retorno de FCF [fluxo de caixa livre] spot de cerca de 9%, o que consideramos justo e semelhante ao da Rio Tinto”, diz o relatório. A instituição manifestou preferência pelas ações da Rio Tinto (RIO) pela maior presença de metais voltados para a transição energética em seu portfólio.

Celulose

Os analistas ainda ressaltam que o segmento de papel e celulose continua operando à margem do interesse dos grandes fundos globais, acumulando perdas generalizadas de 10% a 20% desde o início do ano. 

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Segundo o documento, o mercado passou a precificar com maior clareza o plano estrutural da China de expandir sua capacidade interna integrada de celulose para reduzir a dependência de produtos importados. 

“O mercado teme que a celulose se torne o próximo aço, com 10 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de produção de celulose adicionadas na China de 2020 a 2025, e mais 10 Mtpa de capacidade planejadas para os próximos 5 anos”, diz o relatório. Esse volume se somará a projetos previstos para a América Latina que podem injetar outras 10 Mtpa a um mercado global estimado em apenas 70 Mtpa.

“Antecipamos que os preços da celulose caiam para US$ 530-550/t nos próximos meses, o que poderia levar as ações a um desempenho ainda pior”, diz o relatório. No confronto direto, a instituição mantém preferência pelos papéis da Suzano (SUZB3) em relação aos da Klabin (KLBN11).

Infomoney

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