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o que tem na bebida que gerou polêmica em Goiânia

A lata verde, amarela e vermelha, com uma folha que remete à cannabis estampada no rótulo, chamou a atenção de uma mulher que passava pela porta de um colégio cristão no Setor Bueno, em Goiânia. O que mais a incomodou, porém, foi o local onde a bebida estava sendo vendida: uma padaria próxima da escola.

“A padaria tem pão, leite, água…, mas tem um energético sabor maconha. Não tem maconha aqui dentro, não tem resquício de maconha, mas a questão é a seguinte: isso aqui leva a curiosidade para os jovens e adolescentes e até crianças. Qualquer um que quiser pode comprar”, afirmou a mulher, em vídeo publicado no Instagram nesta quinta-feira (13).

Mulher reclama
Mulher se incomodou com o local onde a bebida estava sendo vendida: uma padaria próxima da escola. Foto: Reprodução

O produto é o Mister Hemp, um energético que utiliza identidade visual e nomes de sabores associados à cultura da cannabis. A situação provocou indignação e levantou uma pergunta: afinal, o que há dentro da lata?

Apesar do nome Hemp — “cânhamo”, em inglês — e da estética associada à cannabis, o produto, segundo as informações divulgadas pelo fabricante, não contém THC nem canabidiol (CBD). A composição informada inclui cafeína, taurina e terpenos.

“Você entrega o dinheiro para o seu filho comprar um pão, um lanche e daqui a pouco ele está comprando um energético para saber qual o sabor da maconha. Daqui a pouco um fulano ali na esquina oferece maconha para ele e ele pensa: ‘não dá nada não, posso usar, pois eu já experimentei’”, contou a mulher em outro trecho do vídeo.

Recolhimento

Mas há um detalhe ainda mais importante nessa história. Em julho deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento e suspendeu a venda, fabricação, distribuição, divulgação e uso dos energéticos da marca Mister Hemp.

Segundo a agência, a empresa não apresentou estudos de estabilidade dos produtos e não comprovou a regularização dos energéticos no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

Ou seja: independentemente da discussão sobre o nome, a embalagem ou a associação com a cannabis, existe uma determinação sanitária que impede a comercialização do produto.

Na tarde desta quinta-feira (13), a reportagem do Mais Goiás tentou contato com a Mister Hemp para saber o posicionamento da empresa sobre a suspensão e sobre a venda do produto em uma padaria próxima à escola. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. O texto será atualizado caso a empresa se manifeste.

Mister Hemp tratada
De acordo com fabricante, o Mister Hemp é uma bebida energética à base de cafeína, taurina e terpenos, sem THC ou canabidiol. Foto: Reprodução

O que há na bebida?

De acordo com informações divulgadas pelo fabricante, o Mister Hemp é uma bebida energética à base de cafeína, taurina e terpenos, sem THC ou canabidiol.

A nutricionista Gabriela Teixeira, ouvida pelo Mais Goiás, chama atenção, porém, para outro aspecto da situação: a presença de uma bebida energética em um ambiente frequentado por crianças e adolescentes.

“A preocupação nutricional não está no fato de ter uma folha que remete à maconha na embalagem, mas no produto ser uma bebida energética com cafeína e taurina e estar sendo comercializada em um ambiente frequentado por crianças e adolescentes”, afirmou.

Segundo a nutricionista, crianças e adolescentes não têm necessidade nutricional de consumir bebidas energéticas.

“A cafeína pode causar agitação, ansiedade, palpitações e principalmente prejudicar o sono, que é fundamental para crescimento, desenvolvimento, aprendizagem e saúde.”

A embalagem também entra na discussão

Para Gabriela, a identidade visual do produto merece atenção. Cores, nomes de sabores e elementos gráficos fazem parte da estratégia de comunicação das marcas e podem influenciar a percepção do consumidor.

“A embalagem, as cores, os nomes, sabores e elementos visuais não são escolhidos por acaso: fazem parte da estratégia de marketing e podem despertar curiosidade e criar uma percepção sobre o produto que nem sempre corresponde à sua composição real.”

Para ela, a discussão vai além de descobrir se existe ou não cannabis dentro da lata.

“A discussão mais importante não é simplesmente ‘tem maconha nessa lata?’. É entender por que estamos normalizando bebidas energéticas e estimulantes para estudantes e utilizando estratégias de comunicação que podem aumentar a curiosidade desse público. Criança precisa de alimentação adequada, hidratação e sono para ter energia e concentração. Não precisa de energético”, finalizou.


Mais Goiás

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