Política

O time de conselheiros econômicos de Lula que contrapõe o PT ao seu governo

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Na campanha à reeleição de Lula, depois do desassossego provocado pela passagem do ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo do PT, por alguns escritórios na Faria Lima, exaltando ideias heterodoxas, como o controle de capitais, o ministro da Fazenda Dario Durigan apressou-se a dar recados ao mercado financeiro de que é ele o verdadeiro porta-voz da plataforma econômica do presidente.

Suas reuniões com o chefe do Executivo federal e postulante a novo mandato de quatro anos são frequentes, tanto a sós como na companhia de outros conselheiros de Lula para a área, como o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o comandante do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, e o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, além do próprio Gabrielli.

Pessoas a par das discussões garantem que as conversas costumam ocorrer à noite ou nos fins de semana, fora do expediente da Esplanada, já que três dos cinco conselheiros estão investidos em cargos na estrutura governamental. Na última terça-feira 4, esse grupo bateu o martelo sobre uma versão preliminar do programa de Lula, necessária, inclusive, para criar a pessoa jurídica de sua campanha.

O documento nem sequer menciona a palavra “ajuste” ao abordar as contas públicas. Pelo contrário: prega a continuidade das políticas do mandato em curso. Durigan e Moretti concordam, ainda que em parte, com visão unânime entre economistas não alinhados ao PT e agentes do mercado financeiro que há necessidade de um endurecimento da política fiscal, mas entendem, também, que a Fazenda e o Planejamento vêm adotando medidas adequadas.

Uma delas é o bloqueio em vigor de 17,9 bilhões de reais do Orçamento deste ano com base no relatório de avaliação fiscal do terceiro bimestre. A contenção visa cumprir o limite de 2,5% para o aumento real de despesas sob o arcabouço fiscal desenhado quando Fernando Haddad ainda era ministro da Fazenda e aproximar o balanço da meta de superávit primário de 0,25% do PIB, algo em torno de 34 bilhões de reais, com uma tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo.

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Hoje, a área econômica do governo projeta um saldo positivo de 10,8 bilhões de reais entre receitas e despesas, mas só porque há mais de 60 bilhões de reais em gastos fora do cálculo da meta. Sem a artimanha contábil, a projeção é de um déficit de 52 bilhões de reais sem contar o pagamento de juros da dívida.

O mero aceno a um ajuste nas contas públicas, por meio do corte ou ao menos de uma expansão em ritmo menor que o atual dos gastos federais, já divide o grupo de conselheiros econômicos de Lula, contrapondo Durigan e Moretti a Gabrielli e Mercadante, com Edinho se posicionando como um meio-termo entre as vozes do governo e os representantes da velha guarda do PT.

No fim de 2023, já no atual mandato de Lula, o partido aprovou uma resolução alegando que o Brasil precisava “se libertar, urgentemente, da ditadura do Banco Central ‘independente’ e do austericídio fiscal”, termo cunhado para criticar e ironizar políticas de austeridade que cortassem gastos em áreas como saúde, previdência e assistência social.

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Apesar de conhecer a importância para a própria atividade econômica e para a atratividade do país a investimentos privados de manter bom trânsito com o setor produtivo e o mercado financeiro, Lula não quer tampouco correr o risco de desmobilizar a militância petista, cujo ideário é vocalizado em episódios como a passagem de Gabrielli pela Faria Lima.

Num pleito que se projeta disputado voto a voto, a erosão da parcela do eleitorado que até aqui se declara lulista convicto pode ser fatal para o postulante à reeleição. O plano de governo da chapa do PT será apresentado no próximo dia 16 em um evento no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, mas ninguém no centro financeiro do país espera que o ajuste fiscal esteja na pauta.

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