Os destinos discutidos pelo grupo de Lulinha para guardar dinheiro fora do Brasil

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O minúsculo principado de Liechtenstein, espremido entre a Áustria e a Suíça, foi discutido como possível destino pela lobista Roberta Luchsinger para abrigar fora do Brasil dinheiro do grupo do qual faz parte. A lobista e o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, são investigados em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de tráfico de influência, corrupção, organização criminosa e venda de prestígio a partir de uma sociedade informal em que supostamente vendiam abrir as portas do governo petista em troca de honorários.
Reportagem de capa da edição de VEJA que chegou nesta quinta-feira, 20, às bancas e plataformas digitais revela a íntegra dos inquéritos que acossam Lulinha e as mais relevantes descobertas da Polícia Federal sobre a atuação do grupo pelos corredores do governo. A partir do conteúdo dos aparelhos celulares dos investigados armazenado em nuvem, a Polícia Federal descobriu detalhes da ofensiva do grupo contra o Ministério da Saúde, a Dataprev e diferentes órgãos do Executivo. Em um dos casos, houve prospecção sobre os benefícios de, digamos, blindagem patrimonial em Liechtenstein.
Antigo paraíso fiscal, o local era considerado seguro para receber recursos do grupo porque Roberta explicou que seu ex-marido a informara certa vez que era impossível “prender” recursos abrigados em bancos do país. O ex-marido de Roberta Luchsinger é o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que hoje vive na Suíça.
Conforme mensagens apreendidas pela PF, em 4 de fevereiro de 2024, Roberta orienta Gustavo Gaspar, sócio do notório Careca do INSS e ex-assessor do senador governista Weverton Rocha (PDT-MA), a abrir uma empresa em Liechtenstein e mostra instituições bancárias também na Suíça, por décadas o maior paraíso fiscal do planeta e outro dos destinos cogitados pelo grupo para abrir contas. Poucos dias depois, Roberta e Lulinha viajam para a Europa e a lobista comenta sobre reuniões em bancos. “Causa estranheza o interesse em abrir conta bancária fora do Brasil, além de abrir empresa em Liechtenstein. É importante observar que ROBERTA busca abrir empresa num local que, segundo ela mesma, ‘é impossível prender dinheiro’. Diante dessa afirmação, é possível que estejam tentando blindar valores obtidos de forma ilícita”, registra a Polícia Federal ao analisar as mensagens.
No Brasil, a única informação pública sobre o patrimônio de Roberta Luchsinger é sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral quando ela tentou ser deputada estadual pelo PT em 2018: 1,5 milhão de reais. Mas as investigações sobre tráfico de influência no governo federal mostram que a lobista tinha, por exemplo, o hábito de armazenar dinheiro vivo em malas de dinheiro e em pequenos embrulhos escondidos entre roupas de grife.
É o que fica claro em uma troca de mensagens entre a empresária e seu motorista particular. Em março de 2023, por exemplo, o funcionário repassa a ela a contabilidade do que estava escondido dentro de uma mala: 500.000 em um lado (a moeda não é revelada) e 90.000 no outro. Na sequência, Luchsinger dá instruções para a entrega de 193.000 em cash ao empresário Fernando Bittar que, conforme revelou VEJA, integrava com ela e Lulinha uma sociedade oculta suspeita de traficar influência na administração pública. Em maio do mesmo ano, a empresária pede que o funcionário faça um depósito e indica uma caixa, atrás de uma bolsa de grife no armário, onde estariam guardados “bolinhos” de dinheiro com 10.000 (a moeda não é informada) cada.
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