Os dois negócios que Lulinha e lobista tinham com o Careca do INSS

Mensagens anexadas ao inquérito que investiga Lulinha por suspeitas de tráfico de influência no governo Lula apontam que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, tinha dois negócios com o grupo composto pela lobista Roberta Luchsinger e o filho do presidente.
É o que mostra um diálogo do dia 16 de janeiro de 2025, pouco antes do escândalo do INSS vir à tona, entre a amiga do filho do presidente e Gustavo Gaspar, outro parceiro do Careca do INSS, apontado pela PF como principal operador do esquema que desviou 6 bilhões de reais das aposentadorias do idosos.
Na ocasião, Gaspar reclamava com a lobista por não ter recebido alguns pagamentos do Careca do INSS e sugeriu ter se sentido escanteado por Antunes no negócio que o grupo tinha a intenção de fechar com o Ministério da Saúde no ramo de medicamentos à base de canabidiol.
Roberta e Lulinha são investigados pela PF justamente por suspeitas de terem aberto portas para o Careca do INSS no Ministério da Saúde, pasta responsável por assuntos dessa natureza. Por meio dessa influência, o grupo acreditava que conseguiria agilizar a regulamentação do uso de medicamentos a base de canabidiol e, de quebra, permitir que os remédios fossem fabricados e fornecidos por empresas do Careca do INSS ao Ministério da Saúde.
“Vc e ele precisam ajeitar os ponteiros”, disse Roberta a Gaspar. “Você não imagina”, respondeu ele, que também já foi assessor do senador Weverton Rocha e é investigado na Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes no INSS. A amiga de Lulinha diz a Gaspar que “ele não tem que abrir mão de nada”. “Até pq os 2 negócios dele (Antunes) com a gente vão sair”, garantiu Roberta.
A PF suspeita que os dois negócios citados por ela são o relacionado à fabricação e venda de medicamentos à base de canabidiol e também de testes rápidos para dengue e diga ao Ministério da Saúde. O grupo do Careca do INSS poderia faturar 1 bilhão de reais com os negócios feitos com o governo federal.
Outros negócios do grupo
Em outra leva de diálogos obtidos pela PF, os investigadores identificaram uma conversa entre Roberta e o Careca do INSS para tratar sobre o futuro dos negócios após a eclosão do escândalo do INSS. “Oi Antônio, bom dia, vamos arrumar um jeito de a gente se encontrar hj? É mais pra tarde. Era bom algum escritório, né? De algum advogado, depois explico porquê”, disse a amiga de Lulinha no dia 15 de maio do ano passado.

“Bom dia! Diante dos acontecimentos, esclareço meu posicionamento frente a oportunidades”, disse a lobista em mensagem enviada ao Careca do INSS. Na mesma mensagem, ela cita os negócios do grupo no ramo do canabidiol, além de outros como venda de kits de dengue, e um projeto relacionado a educação financeira.
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