Pré-safra acelera preparação tecnológica no campo e amplia espaço para drones agrícolas

Com a aproximação do período de plantio da safra de verão em importantes regiões agrícolas do país, as semanas que antecedem o início das operações no campo ganham peso no planejamento dos produtores. Além da definição de insumos, sementes e estratégias de manejo, a preparação antecipada de máquinas e tecnologias pode determinar a capacidade de resposta ao longo do ciclo produtivo.
Entre os equipamentos que vêm conquistando espaço nesse planejamento estão os drones agrícolas. A tecnologia já é utilizada em atividades como pulverização e aplicação de produtos, especialmente em situações que exigem rapidez, precisão ou acesso a áreas nas quais a entrada de máquinas terrestres pode ser mais complexa.
Segundo publicação da Embrapa sobre o uso de drones agrícolas no Brasil, a tecnologia foi rapidamente incorporada às cadeias produtivas e apresenta benefícios que ajudam a explicar esse avanço. Entre eles estão a possibilidade de realizar operações de forma localizada e o acesso a áreas de difícil alcance por equipamentos convencionais.
Para Victor Gomes Silva, engenheiro agrônomo e supervisor de pós-venda da Fotus Agro, a adoção desse tipo de equipamento deve ser discutida antes do início da safra, e não apenas quando surge uma necessidade durante o cultivo.
“A safra começa muito antes de a semente chegar ao solo. É nesse período de preparação que o produtor precisa avaliar a capacidade operacional da propriedade, os equipamentos disponíveis e os possíveis gargalos que pode enfrentar nos meses seguintes. Quando a tecnologia é incorporada antecipadamente ao planejamento, há mais tempo para estruturar a operação e utilizá-la de maneira adequada”, afirma Victor Gomes Silva.
Uma das características da produção agrícola é a existência de janelas específicas para determinadas operações. Condições climáticas, estágio da cultura e características da área podem reduzir o período disponível para uma aplicação, aumentando a importância de equipamentos capazes de entrar rapidamente em operação.
Nesse contexto, os drones podem complementar a estrutura já existente na propriedade. Diferentemente dos equipamentos terrestres, eles não dependem do deslocamento sobre a lavoura e podem alcançar locais de difícil acesso, característica especialmente relevante em terrenos irregulares ou em áreas nas quais a circulação de máquinas é limitada.
Estudo publicado nos Cadernos de Ciência & Tecnologia, da Embrapa, aponta entre as vantagens dos drones de pulverização a rapidez da operação, a possibilidade de acesso a culturas e áreas de difícil alcance e a programação dos voos de acordo com as necessidades da aplicação.
“O drone não precisa ser visto como substituto de toda a estrutura que o produtor já utiliza. Ele pode funcionar como mais uma ferramenta dentro do manejo, principalmente em situações nas quais agilidade, acesso à área e precisão operacional são determinantes”, explica Victor Gomes Silva.
Planejar a adoção da tecnologia com antecedência permite ainda que o produtor tenha tempo para conhecer o equipamento, capacitar a equipe e compreender como inserir o drone na rotina operacional antes dos períodos de maior demanda.
A expansão desse mercado também vem acompanhada de maior profissionalização. O Ministério da Agricultura e Pecuária estabelece regras para operadores aeroagrícolas que utilizam aeronaves remotamente pilotadas, além das normas de outros órgãos responsáveis pela operação aérea e pela defesa agropecuária.
Por isso, segundo o Engenheiro Agrônomo, a preparação para a safra não deve considerar apenas a aquisição do equipamento.
“Existe uma curva de adaptação. O produtor precisa entender o planejamento das missões, os parâmetros de aplicação, a manutenção e as boas práticas de operação. Fazer isso antes do momento mais intenso da safra reduz improvisos e ajuda a aproveitar melhor a tecnologia quando ela realmente for necessária”, afirma.
Com a agricultura cada vez mais orientada por eficiência operacional e precisão, tecnologias capazes de ampliar a capacidade de resposta no campo tendem a ganhar relevância no planejamento das propriedades. Para o produtor, antecipar decisões pode significar chegar ao início do novo ciclo com uma estrutura mais preparada para lidar com as diferentes demandas da lavoura.
Globo Rural



