Política

Primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro tem troca de acusações e poucas propostas

O primeiro debate do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, promovido pela Band neste domingo, 18, foi marcado por ataques mútuos e poucas propostas concretas. É o primeiro enfrentamento entre os presidenciáveis nessas eleições — ambos não foram aos debates do primeiro turno. O que predominou foi a troca de acusações entre Lula e Flávio, principalmente sobre os escândalos de corrupção envolvendo os dois e aliados próximos.

Segurança pública, uma das principais preocupações dos brasileiros e tema estratégico para as duas campanhas, foi o primeiro tema a ser debatido. Na pergunta inicial, a jornalista Adriana Araújo apresentou dados sobre roubos de celulares, homicídios e avanço do crime organizado e cobrou dos candidatos três propostas concretas para combater a criminalidade. Flávio prometeu “declarar guerra ao narcoterrorismo”, classificar facções criminosas como organizações terroristas e ampliar o tempo de prisão de líderes do crime. Lula, por sua vez, defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso e a criação de um Ministério da Segurança Pública para coordenar ações da União com estados e municípios. O presidente também repetiu seu bordão de campanha: “Para o trabalhador proteção, para o bandido prisão”.

Um dos poucos temas que teve propostas concretas foi o endividamento dos brasileiros. “No meu governo a gente vai comprar a sua dívida dos bancos. E vai ser por um valor muito menor”, disse Flavio Bolsonaro, que criticou o Desenrola por estar na terceira edição e não ter resolvido o problema. Na edição mais recente, o programa do governo federal fez justamente o que propôs o candidato: compra a dívida direto da instituição bancária, com desconto mínimo de 90%. Lula falou sobre a necessidade de modernizar indústrias, investir em economia verde e no setor digital para acelerar o crescimento do país.

Os candidatos se dedicaram também ao tema da saúde. Lula relembrou os mais de 700 mil mortos durante a pandemia e apontou a responsabilidade da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre essa estatística. Já Flávio disse que, se for eleito, vai indicar para a pasta da Saúde o médico Claudio Lottenberg, que é diretor do Conselho do Albert Einstein.

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Trocas de acusações

Os presidenciáveis trocaram acusações sobre grandes escândalos de corrupção nos quais eles próprios ou pessoas próximas estão envolvidos. O primeiro a ser citado foram os inquéritos sobre Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do atual presidente. Ele é suspeito de ter usado da sua posição para ajudar a lobista Roberta Luchsinger a acessar pessoas do governo e tentar fechar contratos com o poder público. Lula disse que a lobista “é uma questão da Polícia Federal”.

Outro caso citado foi o do Master e dos vínculos de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. Durante o debate, Lula questionou várias vezes o senador sobre o destino do dinheiro que ele pediu ao banqueiro, mas o filho do ex-presidente desconversou e rumou para outros assuntos. Os dois candidatos mencionaram o escândalo do INSS, trocando acusações sobre qual governo — o terceiro mandato de Lula ou a gestão de Jair Bolsonaro — teria gestado o esquema criminoso.

Pós-debate

Na saída, o presidente Lula falou brevemente com a imprensa e avaliou que o nível do debate foi “muito baixo”. “É muita denúncia, isso é muito ruim”, disse. “O debate sempre é positivo. Mas o nível do debate poderia ser maior.”

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Já o estrategista digital da campanha, o deputado André Janones (Rede-MG), disse não acreditar que o debate vá fazer alguma diferença. “Em nenhum cenário esse debate mudaria alguma coisa. O eleitor hoje não decide o voto por debate, isso aqui serve para a militância, para engajar e jogar cortes nas redes sociais”, falou. “Mas é indiscutível que o presidente venceu, o adversário tentou desequilibrá-lo e não conseguiu.”

Flávio e toda sua equipe deixaram o local sem falar com a imprensa.

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Alarme falso de bomba

A campanha do candidato do PL disse que o senador foi retirado do local após a equipe da Polícia Legislativa que faz a segurança dele suspeitar que havia explosivos no veículo que o trouxe até os estúdios da Band. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar de São Paulo foi chamado, e dois cães farejadores deram sinal de que havia alguma substância potencialmente perigosa no carro.

Uma parte do lado de fora do estúdio foi isolada pela equipe, que revistou o carro e não encontrou nada ameaçador. O capitão do Gate Vitor Capello Haddad disse que foi um alarme falso, substâncias comuns do carro podem ser usadas em explosivos, e que esse foi o provável motivo da sinalização dos cães. Os agentes afirmaram que, para dizer com precisão qual substância acendeu o alerta, seria necessária uma perícia mais aprofundada.

Próximo debate

O próximo debate está marcado para o dia 23, na TV Globo, a dois dias da votação. Ainda não há confirmação da participação de Lula e Flávio.

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Até o momento, as pesquisas mostram uma corrida acirrada: a última pesquisa do Datafolha, divulgada na última quinta-feira, 15, mostrou um empate técnico, com Flávio pontuando 51% e Lula, 49%.

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