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Professor da UFG trocou a música pela IA: ‘queria cursar Música’

O professor Anderson Soares, da Universidade Federal de Goiás (UFG), imaginava um futuro bem diferente do que construiu. Em entrevista ao Mais Goiás, ele relembrou os caminhos que o levaram da escola pública em Catalão, no sudeste de Goiás, à carreira acadêmica e à inteligência artificial.

A trajetória passou pela Engenharia de Computação, pela pesquisa acadêmica e por uma formação que o levou a concluir o doutorado em Engenharia aos 26 anos. Atualmente, Anderson é professor da UFG e fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA).

Uma infância marcada pelos estudos e pela música

Antes de pensar na carreira, Anderson era um aluno tímido da Escola Estadual Professor Zuzu, em Catalão. A escola tinha uma estrutura simples, com paredes de lajota, mas foi onde ele começou a demonstrar facilidade com matemática e se destacou principalmente durante o ensino fundamental.

Um registro da infância de Anderson, em Catalão, cidade onde começou sua trajetória nos estudos (Foto: Arquivo pessoal)

Ele lembra que, naquele período, as escolas públicas tinham uma taxa de retenção significativa e conta que se orgulhava de nunca ter sido reprovado. A facilidade com as áreas de exatas, porém, ainda não indicava para ele qual profissão seguiria.

Na adolescência, a música ocupou esse espaço. Depois de aprender teclado e piano, Anderson começou a dar aulas aos 13 ou 14 anos. O interesse cresceu a ponto de fazer com que Música se tornasse sua primeira opção para a graduação.

Os planos mudaram depois de uma tragédia familiar. O falecimento repentino de um tio levou a família a se mudar para Goiânia. Anderson chegou à capital em uma situação de vulnerabilidade social e econômica e não tinha condições de fazer um cursinho. Quando chegou, o vestibular da UFG daquele ano já havia passado.

Foi por meio de uma bolsa de estudos na PUC Goiás, patrocinada pelo Governo de Goiás, que ele conseguiu iniciar a graduação. A escolha por Engenharia de Computação também teve influência do pai, que estudou somente até a quarta série e veio da zona rural, mas sempre incentivou o filho a buscar oportunidades maiores.

Anderson durante a defesa do mestrado, quando já pesquisava redes neurais artificiais, base da IA moderna (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo Anderson, o pai dizia que ele poderia “alçar voos maiores”. O conselho pesou na decisão de deixar a Música de lado e ingressar na área de tecnologia.

Durante a graduação, Anderson recebeu prêmios de distinção pelo desempenho acadêmico e também teve uma experiência empreendedora ao criar, junto a um professor, a empresa Áctua Brasil.

Após a faculdade, ele decidiu continuar na vida acadêmica. Fez mestrado em Engenharia Elétrica na Universidade de São Paulo (USP) e, posteriormente, doutorado em Engenharia Eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), concluído quando tinha 26 anos.

Os pais como referência e a chegada à inteligência artificial

Ao falar sobre as escolhas que marcaram sua formação, Anderson destaca a influência dos pais. Além do incentivo do pai para buscar novas possibilidades, ele cita a trajetória da mãe, que entrou na faculdade depois dos 30 anos e se tornou professora de História.

Anderson ao lado da família na formatura da mãe, uma conquista que também marcou sua trajetória (Foto: Arquivo pessoal)

“Eu acho que quem mais me influenciou foi meu pai, que, embora tenha vindo da roça e estudado muito pouco, fez até a quarta série. E também minha mãe, que, embora tenha feito faculdade depois dos 30 anos, se tornou professora de História”, contou ao Mais Goiás.

A formação em Engenharia e a experiência acadêmica abriram caminho para que Anderson se aproximasse da inteligência artificial. Hoje, como professor da UFG e fundador do CEIA, ele atua na área e integra a seleção nacional de profissionais de destaque no setor.

Anderson durante o doutorado em Engenharia Eletrônica no ITA, etapa importante de sua formação acadêmica (Foto: Arquivo pessoal)

O estudo Pulso 2026/2027 analisou cerca de 2 mil nomes e selecionou 630 profissionais distribuídos por 21 setores da economia. A metodologia considerou alcance, engajamento, consistência temática e seis dimensões de avaliação, entre elas influência, reputação, conteúdo e afinidade.

Na área de Inteligência Artificial, foram selecionados 30 profissionais. Anderson aparece na relação ao lado de nomes como Tania Cosentino, da Microsoft, e da pesquisadora Nina da Hora. Segundo a metodologia, a seleção não deve ser interpretada como um ranking numérico entre os escolhidos.


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