Política

Quaest: Lula tem 45% e abre oito pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro no 2º turn

Nesta quarta-feira, 15, uma pesquisa Quaest revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem para oito pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno. O petista alcança 45% das intenções de voto, superando os 37% de Flávio. A diferença representa um aumento em relação a junho, quando era de seis pontos (44% a 38%), e a maio, mês em que ambos estavam numericamente empatados.

O que aconteceu

  • A pesquisa Quaest indica que Lula amplia vantagem para 8 pontos sobre Flávio Bolsonaro em simulação de 2º turno.
  • O racha na família Bolsonaro, após briga pública entre Flávio e Michelle, impactou a avaliação do senador, assim como a operação da PF contra Jaques Wagner (PT-BA).
  • Pela primeira vez desde dezembro de 2023, a aprovação do governo Lula superou numericamente a desaprovação na pesquisa.

Os dados da Quaest são os primeiros a captar os reflexos de dois eventos recentes que ganharam repercussão nacional: o embate público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que expôs divergências no clã, e a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), aliado de Lula, no contexto do caso Master.

“Em um eventual cenário de segundo turno, a vantagem de Lula para Flávio seria de oito pontos percentuais, oscilou dois pontos positivamente no último mês”, afirmou o diretor da Quaest, Felipe Nunes. Para o especialista, a campanha de Flávio demonstra uma “fragilidade”, atribuída principalmente ao conflito familiar. Nunes observa que “os vídeos divulgados parecem ter provocado algum dano dentro da base potencial do Flávio, já que 35% da direita não bolsonarista e 20% do bolsonarismo acham que Michelle acertou ao divulgar o vídeo.”

Lula x oposição: quem aparece mais competitivo?

Apesar do desgaste enfrentado por Flávio, o levantamento mostra que nenhum outro nome de oposição consegue se posicionar de forma mais competitiva contra Lula. Nos demais cenários de segundo turno testados pela pesquisa, o presidente Lula mantém a liderança com margens ainda maiores. Ele venceria por 45% a 36% contra Ronaldo Caiado (PSD); por 45% a 35% contra Romeu Zema (Novo); e por 45% a 33% contra Renan Santos (Missão).

No cenário de primeiro turno, Lula lidera com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 28%. Os demais candidatos aparecem com percentuais mais baixos: Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Zema com 2%.

Como a briga familiar e o caso Wagner impactam as intenções de voto?

A pesquisa revelou que metade dos entrevistados (51%) não tinha conhecimento do vídeo de Michelle. Contudo, entre os que estavam cientes do episódio, 45% consideraram que ela agiu corretamente ao divulgá-lo, enquanto 38% discordaram. Em uma pergunta mais direta, 42% dos eleitores se identificaram mais com a posição da ex-primeira-dama do que com a do senador, contra 18% que ficaram ao lado de Flávio. Felipe Nunes enfatizou que “toda essa confusão dentro da família acabou provocando uma reação que parece afastar o potencial eleitor independente do Flávio: diminuiu de 33% para 29% a percepção de que Flávio é mais moderado que sua família.”

Em relação à operação contra Wagner, 54% dos entrevistados declararam não ter conhecimento do fato. Dentre os que sabiam, 61% avaliaram que o petista agiu de forma errada. Para 37%, a investigação impacta muito negativamente a campanha de Lula, enquanto 25% acreditam que o impacto é moderado.

Independentes e a aprovação do governo: o que revelam os números?

Entre os eleitores independentes, grupo que representa aproximadamente um terço do eleitorado e é potencialmente decisivo nas eleições, Lula manteve uma vantagem de 13 pontos sobre Flávio no segundo turno, com 40% a 27%. No segmento da direita não bolsonarista, Flávio registra queda consecutiva desde abril, passando de 90% para 74% das intenções de voto. Mesmo entre os bolsonaristas, houve um recuo de 97% para 91%.

A pesquisa Quaest de julho marca um ponto de inflexão, sendo a primeira vez desde dezembro de 2023 em que a aprovação do governo Lula supera numericamente a desaprovação, com 48% aprovando e 47% desaprovando. A avaliação positiva do trabalho do presidente empatou com a negativa, ambos com 36%, e 26% avaliaram como regular. No entanto, 51% dos entrevistados consideram que Lula não deveria ter um novo mandato, contra 45% que defendem mais quatro anos.

A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-07181/2026.


IstoÉ

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