Quaest: Lula tem boa notícia na guerra do tarifaço, mas cientista político vê um desafio para o petista

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A maioria dos brasileiros concorda mais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que com o senador Flávio Bolsonaro na disputa de narrativas sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. É o que mostra a nova pesquisa Genial/Quaest, analisada no programa Ponto de Vista. Apesar da vantagem do governo nesse debate, o cientista político Adriano Cerqueira avaliou que o tema ainda não produziu mudanças significativas nas intenções de voto e que seus efeitos eleitorais permanecem incertos (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados afirmam concordar mais com Lula quando o presidente acusa Flávio Bolsonaro de ter incentivado o governo de Donald Trump a adotar o tarifaço contra o Brasil. Outros 30% dizem concordar mais com o senador. Em relação à rodada anterior, realizada em junho, o percentual favorável à versão do governo subiu de 47% para 51%, enquanto a posição alinhada a Flávio caiu de 35% para 30%.
Como os brasileiros enxergam a origem do tarifaço?
A pesquisa também testou outra disputa de narrativas envolvendo as tarifas. Questionados sobre qual explicação consideram mais correta, 49% disseram concordar com Lula, que atribui as medidas americanas a uma retaliação relacionada ao Pix e a interesses comerciais dos Estados Unidos. Já 33% concordaram mais com Flávio Bolsonaro, que responsabiliza declarações do governo brasileiro contra Washington.
Na comparação com junho, a concordância com Lula cresceu três pontos percentuais, enquanto a de Flávio recuou na mesma proporção.
Esses números já mudam a disputa eleitoral?
Para Adriano Cerqueira, a resposta ainda é negativa. “Eu não acho que está tendo impacto negativo. Não acho que esse tema está mobilizando o eleitor no sentido de intenção de votos”, afirmou.
Segundo o cientista político, embora a Quaest apresente uma vantagem mais ampla para Lula, a maior parte dos institutos continua mostrando uma disputa equilibrada entre o presidente e Flávio Bolsonaro.
“As variações na intenção de voto têm sido pequenas. Alguns institutos dão um pouco mais de espaço para Lula, mas a maioria mostra uma situação praticamente sem grandes alterações”, disse.
Por que o tarifaço ainda não mobiliza o eleitor?
Na avaliação de Cerqueira, concordar com uma narrativa não significa necessariamente transformar essa posição em voto. “Uma coisa é você dizer se concorda ou não com determinada explicação. Outra é isso gerar motivação para votar em quem você está concordando”, afirmou.
Para ele, a questão ainda está distante das principais preocupações do eleitor médio. “O eleitor de centro-direita ou moderado está vivendo dificuldades econômicas e problemas de segurança. É isso que tende a motivá-lo”, avaliou.
Segundo o cientista político, o desafio do governo será justamente converter o discurso de soberania nacional em um tema capaz de influenciar o comportamento eleitoral.
Os brasileiros conhecem a atuação de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos?
Outro dado da pesquisa sugere que o episódio ainda não alcançou a maior parte do eleitorado. Segundo a Quaest, 57% dos entrevistados disseram não saber que Flávio Bolsonaro esteve nos Estados Unidos tratando do tema das tarifas, enquanto 43% afirmaram ter conhecimento da viagem.
O instituto também perguntou se o tarifaço aumentava a disposição dos entrevistados de votar em algum candidato. Nesse cenário, 42% responderam que o episódio ampliou a vontade de votar em Lula, índice que passou de 39% para 42% em relação à rodada anterior. Já o percentual dos que afirmam estar mais inclinados a votar em Flávio caiu de 30% para 27%. Outros 23% disseram que o episódio aumenta a disposição de votar em um terceiro candidato.
Quem realmente foi influenciado pelo tema?
Cerqueira relativizou essas oscilações. “O aumento ficou dentro da margem de erro. Não houve uma mudança suficientemente grande para afirmar que o tarifaço alterou o cenário eleitoral”, afirmou.
Segundo ele, os números refletem principalmente a consolidação da base tradicional do presidente. “Quem diz que aumentou a vontade de votar no Lula é quem nunca votaria em Bolsonaro ou em um candidato mais conservador”, avaliou.
Na interpretação do cientista político, os resultados ainda não demonstram uma mudança consistente entre os eleitores independentes.
Como Lula pode explorar esse tema na campanha?
Apesar de minimizar impactos imediatos nas intenções de voto, Cerqueira considera que a pesquisa oferece informações importantes para a estratégia eleitoral do governo. “É uma boa pesquisa para a pré-campanha do Lula”, afirmou.
Segundo ele, os dados ajudam a identificar caminhos para ampliar a comunicação sobre soberania nacional e tentar conquistar eleitores que ainda não estão posicionados. Ao mesmo tempo, o cientista político ponderou que essa tarefa não será simples. “Vai ser difícil motivar esse eleitor que não é de esquerda apenas com a questão do tarifaço e da soberania”, concluiu.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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