Política

Quem está por trás da candidatura de Augusto Cury à Presidência

Escritor best-seller de livros de autoajuda, Augusto Cury, que surpreendeu ao aparecer na terceira posição na corrida presidencial em levantamentos divulgados nesta segunda-feira, 31, pelo Nexus/BTG e AtlasIntel/Bloomberg, anunciou em março deste ano a intenção de concorrer à Presidência sem ainda nem estar filiado a um partido. Ele disse ter conversado com figurões da política, como o ex-presidente da República Michel Temer e os presidentes do PSD e PSDB, Gilberto Kassab e Aécio Neves, respectivamente, para fazer a sua escolha.

Em abril, filiou-se ao Avante, partido que está viabilizando a sua candidatura ao Palácio do Planalto. Com seis parlamentares — cinco deputados e um senador –, a legenda comandada pelo deputado Luís Tibé (MG) desde 2006 está longe de ser uma das maiores do Congresso, mas tem tamanho suficiente para ter acesso ao fundo eleitoral e ao horário eleitoral gratuito – ao contrário de outras legendas que lançaram presidenciáveis, como o Missão de Renan Santos e o Novo de Romeu Zema.

O Avante, que era chamado de PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil) até 2017, foi criado a partir de uma dissidência do PTB e se apresenta como um partido de centro, que já deu apoio tanto a candidatos de direita quanto de esquerda. Em 2014, apoiou Aécio Neves; em 2018, Ciro Gomes (então no PDT) e em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Naquele ano, inclusive, a legenda estudou lançar à Presidência o deputado André Janones, que desistiu de uma candidatura própria para integrar a campanha do petista e hoje está filiado à Rede.

Embora Janones tenha sido um dos nomes mais conhecidos do Avante, isso não significa que os demais parlamentares da sigla compartilhem o mesmo perfil ideológico. Outro filiado notório é o senador bolsonarista Marcos do Val (ES), indiciado por obstrução de justiça por divulgar dados pessoais de um delegado da Polícia Federal que participou de inquéritos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O próprio presidente da sigla, Luís Tibé, já foi investigado por desvio de função e de verba de servidores de seu gabinete — uma espécie de rachadinha –, mas o caso não avançou na Justiça. Em 2017, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o desarquivamento da denúncia, mas o pedido não foi julgado até hoje pelo Supremo Tribunal Federal — o último adiamento ocorreu em fevereiro deste ano.

Ele também foi alvo de um inquérito sobre uso de notas fiscais frias para justificar gastos com gráfica, mas a Polícia Federal concluiu que as despesas foram regulares e o caso foi arquivado pelo STF, com o aval da PGR, em 2024.

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Direita ou esquerda

Cury tem se esquivado quando é questionado se é de esquerda ou direita, ou se apoiaria Lula ou Flávio em um eventual segundo turno, repetindo que quer ser uma alternativa à polarização. Ele tem o maior patrimônio declarado entre os presidenciáveis, de 242 milhões de reais, e é o principal doador da própria campanha, com uma transferência de 150 mil reais.

O marqueteiro de Cury é o publicitário Sérgio Lima, que participou da campanha de Bolsonaro em 2022 e, neste ano, já trabalhou com Flávio e Romeu Zema, antes de aterrissar na equipe do escritor. Já o vice é Júlio Delgado, que foi deputado federal por cinco mandatos, de 2003 a 2023, e chegou a disputar a Presidência da Casa em duas ocasiões. Delgado foi o relator do processo que resultou na cassação de José Dirceu (PT) em 2005.

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A composição da candidatura, portanto, reúne um partido de perfil pragmático e uma equipe que transita entre diferentes campos políticos. Cury pode até apresentar ideias pouco convencionais — algumas delas, no mínimo, excêntricas, como treinar embaixadores para serem influenciadores nas redes sociais —, mas a estrutura montada para levá-lo à Presidência está longe de ser improvisada: há partido, dinheiro (a legenda vai receber 73 milhões de reais em 2026, entre fundo eleitoral e fundo partidário), profissionais experientes e uma equipe que conhece os caminhos de uma campanha nacional.

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