Reverendos questionam André Mendonça por ser ministro do STF e pastor ao mesmo tempo

Um grupo de pastores, a maioria presbiterianos, divulgou nesta semana uma “interpelação de interesse público” ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça.
O documento cobra o colega, que é reverendo da IPP (Igreja Presbiteriana de Pinheiros), sobre a incompatibilidade ética, teológica e constitucional entre o exercício da magistratura suprema e o ministério pastoral ativo.
Os autores declaram que se dirigem a ele “como irmãos” e “com o respeito que lhe é devido”, sem “animosidade pessoal, mas dever de consciência”. Ressaltam que alguns dos signatários são veteranos, já “encanecidos no ministério”, e ali estão com o objetivo de lembrar a “um pastor mais moço o que a vocação exige de todos nós”.
A manifestação fundamenta-se na Confissão de Fé de Westminster, texto adotado pela IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil). A norma estabelece que magistrados civis não podem assumir “a administração da Palavra e dos sacramentos, ou o poder das chaves do reino do céu”.
Esse grupo interpreta, portanto, que um juiz não poderia ser líder espiritual, e vice-versa. Mendonça é os dois.
A carta aberta não chega numa hora qualquer. Mendonça tem ocupado o centro dos holofotes devido a impasses no Supremo envolvendo o caso Master e, mais precisamente, seu embate com o colega Alexandre de Moraes.
Pastor há anos, está na IPP desde 2025. Quatro anos antes, assumiu a cadeira no STF.
O documento é endossado tanto por líderes da IPB, como Silas Luiz de Souza e Luiz Longuini, quanto do seu braço independente. O reverendo Calvino Camargo, da IPIB (Igreja Presbiteriana Independente do Brasil), que ajudou a redigir o texto, diz que Mendonça assume uma “incômoda posição” quando topa estar na corte e no púlpito.
O texto cita a Constituição brasileira, que não “laicismo hostil à fé”, mas sim uma garantia recíproca: “Protege o Estado da tutela do templo e o templo da tutela do Estado.”
O grupo propõe que Mendonça responda, por exemplo, “como poderá ser tido por árbitro imparcial das liberdades religiosas de todas as confissões quem é, ao mesmo tempo, pastor de uma delas”, e se “vossa excelência” reconhece que, “ao ouvir do púlpito quem detém a espada, a congregação perde a liberdade de discordar sem custo”.
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Folha de São Paulo



