Saiba como os looks repetidos de Kate Middleton impactam o meio ambiente e a economia

Desde que ganhou projeção como integrante da família real britânica, Kate Middleton tem mostrado que não vê problema em voltar a usar roupas que já fazem parte de seu acervo. A prática, que chegou a render à princesa o apelido de “Kate econômica” em parte da imprensa sensacionalista, também passou a ser associada a uma postura mais consciente em relação ao consumo de moda.
Nos últimos meses, Kate apareceu em diferentes compromissos oficiais usando peças que o público já conhecia. Durante a visita de Estado do presidente alemão Frank-Walter Steinmeier, em dezembro, ela escolheu novamente um vestido-casaco azul-real da Alexander McQueen, que havia usado anteriormente no Natal de 2023.
Em fevereiro, durante uma nova passagem pelo País de Gales, a princesa voltou a apostar em uma criação da mesma grife. O vestido-casaco escolhido já havia sido usado por Kate durante a visita de Estado ao Catar, em 2024, mostrando que ela não hesita em recuperar produções de ocasiões anteriores.
O reaproveitamento, porém, não se limita a peças usadas recentemente. Kate também costuma revisitar roupas que estão há muitos anos em seu guarda-roupa. No ano passado, durante outro compromisso no País de Gales, ela apareceu com uma jaqueta cáqui da Ralph Lauren que havia usado pela primeira vez em 2007, quando participou das corridas de Cheltenham, antes mesmo de fazer parte oficialmente da família real.
A Contigo! conversou com a consultora de imagem e estilo Lari Morozetti, que explicou detalhadamente como a repetição dos looks de Kate podem impatar no mundo da moda.
Contigo!: Como influenciadora de moda, você acha que looks repetidos impactam no meio ambiente e na economia?
“Com certeza. Quando a gente aprende a aproveitar melhor o que já tem, o primeiro efeito é o descarte cair, de roupa usada e de roupa nova. Porque funciona assim: quando a loja enxerga uma demanda gigante por compra, ela produz muito mais do que deveria. E todo esse excesso, se não for vendido a preço cheio ou em liquidação, precisa ir para algum lugar. Esse lugar costuma ser o aterro. Existe hoje no Chile um verdadeiro cemitério de roupas a céu aberto, montanhas de peças descartadas pela fast fashion. Cada peça que a gente decide fazer durar é uma peça a menos indo parar ali. E, no meu ponto de vista, repetir roupa não enfraquece a economia, muda para onde o dinheiro vai: sai da lógica do descartável, que no final das contas vira descarte no mundo, e passa a sustentar quem faz roupa boa, o alfaiate, a costureira, o ajuste, a qualidade do tecido e o tempo dedicado à costura daquela peça, trazendo assim empregos mais especializados. E, no bolso da mulher, cada peça repetida que ela se propõe a usar tem o custo por uso despencando. Essa é uma conta que costumo ensinar na consultoria: se a sua roupa custou 150 reais, mas você usou apenas 1x, 150/1 = 150; ou podemos ter outro cenário, você comprou uma peça de 300 reais, mas usou 20x, 300/20 = 15 reais por uso. Roupa parada no guarda-roupa é como um capital morto. Já a roupa que usamos muito é um patrimônio trabalhando pela nossa assinatura visual”.
Contigo!: Qual peça que Kate Middleton já usou que para você é atemporal? (chapéu, blazer, sobretudo e etc)
“O sobretudo vestido de Alexander McQueen que ela usou no batizado da Charlotte. Primeiro, é uma peça perfeita para o clima de Londres. Mas o que importa de verdade está no estilo: ele carrega a estrutura que fazer parte da realeza britânica exige e, ao mesmo tempo, traz a feminilidade dela na cintura marcada e no comprimento vestido. Estrutura e feminilidade na mesma peça. É exatamente isso que conta a personalidade da Kate. E o tempo confirmou: a Kate usou esse sobretudo em 2015, 2016, 2017 e de novo em 2022, no Anzac Day. Sete anos e, mesmo assim, ele continuava tão atual quanto no dia da estreia. E tem uma coisa aqui que passa despercebida para a maioria: roupa atemporal, no closet dela, não significa roupa mais básica. Pelo contrário. Esse sobretudo tem uma lapela ampla, presente, que chama atenção na modelagem. Atemporal não é apagado, é uma peça que reúne todos os pontos da Matemática do Estilo® dela numa coisa só, e por isso transmite significados que traduzem quem ela é e quem ela precisa ser de acordo com a monarquia”.
Contigo!: Para você, repetir look é brega? Cite uma peça coringa que (para você) pode ser repetida sem culpa
“Repetir look, na minha opinião, é elegantíssimo. Pensa comigo: uma roupa que a gente ama e na qual se sente linda só traz segurança quando é usada. Então por que deixá-la parada lá? O meu ponto é: para você não cansar do seu guarda-roupa, você precisa multiplicar essa peça. Criar looks diferentes com ela, para momentos diferentes da sua vida e da sua rotina. Assim, você não fica limitada a um único visual com aquela peça, e toda vez que usar vai ser elogiada. Porque segurança é uma coisa que exala da gente. E, na minha opinião, todas as peças podem ser repetidas. Desde que tenham a sua cara, demonstrem o seu estilo e caibam na sua rotina”.

Ao longo de sua trajetória pública, a princesa também mostrou que é possível alternar entre grifes de luxo e marcas mais acessíveis. Seu acervo inclui peças de nomes consagrados, como Alexander McQueen e Catherine Walker, além de roupas de marcas encontradas em lojas de departamento, como Hobbs.
Com escolhas que atravessam diferentes anos e ocasiões, Kate demonstra que repetir uma peça não significa abrir mão da elegância. Pelo contrário: a estratégia permite que roupas já existentes sejam reinventadas e reforça uma mensagem cada vez mais presente no mundo da moda – a de que consumir menos e aproveitar melhor o que já se tem também pode ser uma escolha sofisticada.
Assista ao vídeo de Lari Morozetti:
Leia também: Rosto e roupas do filho de Alinne Moraes roubam a cena em evento: ‘Esse menino’
Siga o canal da Contigo no Instagram e fique por dentro das notícias mais bombásticas dos famosos, bastidores da TV e novelas.



