Soja sobe na bolsa de Chicago com disparada do petróleo


Em dia de alta generalizada para os grãos na bolsa de Chicago, a soja foi o grande destaque na sessão. Nesta quinta-feira (10/9), os lotes da oleaginosa com entrega para novembro avançaram 1,74%, negociados a US$ 13,3225 o bushel.
Segundo Ronaldo Fernandes, analista da Royal, o principal vetor de alta para os preços do grão está na valorização do petróleo, que subiu 6% e voltou a se consolidar acima dos US$ 100 o barril diante da continuidade das tensões militares no Oriente Médio. O petróleo mais caro favorece a demanda por biodiesel nos Estados Unidos, feito principalmente de derivados da soja.
Também há o impacto de novas previsões para a safra americana do grão, lembra o analista. Amanhã (11), o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), divulgará seu relatório mensal de oferta e demanda de grãos. De acordo com Fernandes, analistas de mercado esperam um corte nas projeções de safra dos EUA, saindo de 123 milhões de toneladas em agosto para 122,5 milhões no dado de amanhã.
“O USDA pode cortar mais [a estimativa de safra de soja], porque a qualidade das lavouras americanas está abaixo de 60%, então o mercado está colocando um pouco de preço nesses dados”, destacou Fernandes.
Outra notícia importante para o mercado da soja foi o anúncio feito pela Reuters, de que a China comprou cerca de 1 milhão de toneladas dos Estados Unidos nesta semana.
Para Fernandes, no entanto, a demanda chinesa por soja americana ainda não está precificada, uma vez que o mercado deve aguardar novidades sobre mais um encontro entre os presidentes Donald Trump, dos EUA, e Xi Jinping, da China, previsto para o fim deste mês.
Milho
O preço do milho avançou em Chicago com expectativa de ajustes na produção dos EUA. Os contratos para dezembro fecharam em alta de 1,14%, a US$ 5,3375 o bushel.
O relatório mensal do Departamento de Agricultura dos EUA deve indicar queda na colheita do país em 2026/27. Segundo aposta de analistas, a produção será reduzida para 400 milhões de toneladas, redução de 6 milhões na comparação com o dado divulgado no mês passado.
De acordo com Ronaldo Fernandes, o milho ainda está distante das máximas de US$ 8 o bushel registradas há quatro anos. Ainda assim, existe espaço de novas correções para cima, considerando o aumento das exportações dos EUA, os problemas de exportação da Ucrânia, e ainda a quebra de safra registrada na Europa neste ano.
Trigo
O trigo recuperou parte das perdas registradas ontem na bolsa de Chicago e fechou com preços em alta. Os contratos para dezembro fecharam em alta de 1,72%, a US$ 7,4125 o bushel.
A queda recente vem na esteira das negociações para o fim do conflito entre Rússia e Ucrânia, que pretender destravar a logística de exportações no Mar Negro. Até o momento, no entanto, não há nenhum acordo confirmado entre os países.
Globo Rural


