Política

Tarcísio diz que neutralidade do centrão sobre Flávio mira votos no Norte e Nordeste

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é candidato à reeleição, disse que a neutralidade de partidos do centrão na disputa pela Presidência da República tem o objetivo de priorizar a formação das bancadas nos estados.

Segundo Tarcísio, o desempenho eleitoral do PT e do presidente Lula nas regiões Norte e Nordeste do país explica a vantagem da neutralidade para candidatos desses estados. Do mesmo modo, o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) seria vantajoso no Sudeste.

Alguns partidos, diz o governador, priorizaram as “realidades locais” ao não sinalizarem apoio direto a Lula ou Flávio. A lista dessas siglas inclui MDB, Podemos, União Brasil, PP e Republicanos.

“Os partidos resolveram [manter neutralidade] para tentar otimizar ou obter o máximo de resultado no que diz respeito a formação de parlamentares. Deixar o seu parlamentar à vontade e com isso fazer as bancadas, que tem sido a prioridade”, afirmou.

Um exemplo dessa estratégia é o partido do próprio governador, o Republicanos. Tarcísio é considerado um dos principais palanques de Flávio Bolsonaro nos estados. Do mesmo modo, o deputado federal pela Paraíba Hugo Motta, presidente da Câmara e nome forte da sigla, declarou apoio a Lula neste ano.

O governador questionou se o caminho pela neutralidade é bom para democracia brasileira e usou o tema como gancho para falar sobre uma reforma política. Ele afirmou que houve uma perda na capacidade de estabelecer consensos no Brasil.

Tarcísio disse, ainda, que o “tempo em que os partidos organizavam a política” passou. O voto distrital, afirma ele, seria uma saída para crise de representatividade. “Se a gente perguntar quem foi o representante que você votou na eleição passada, muitas vezes as pessoas têm dificuldade de dizer, de nomear o próprio deputado e próprio senador”, afirmou.

Candidato a um segundo mandato, o governador também defendeu o fim da reeleição. “Alguma coisa deixa de ser feita porque aquele incumbente começa a pensar: ‘poxa, tenho que me reeleger, não posso fazer isso, é impopular'”, disse.

Segundo Tarcísio, Flávio Bolsonaro assumiu um compromisso sobre o tema ao protocolar, em março, uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que prevê o fim do instituto.

O governador voltou a defender a privatização da Sabesp. Segundo ele, as principais críticas não são sobre a prestação do serviço, mas sobre cobranças. Tarcísio atribuiu parcialmente eventuais aumentos no preço cobrado à troca dos hidrômetros.

Questionado sobre a alta letalidade policial em São Paulo, o candidato à reeleição no estado reconheceu os números e afirmou que não quer “pessoas morrendo”.

Tarcísio lembrou já ter assumido responsabilidade por não ter defendido imediatamente o uso de câmeras corporais pelos policiais. Ele afirmou que o protocolo para acionamento “não é diferente do que acontece no resto do mundo”.

O uso dessas câmeras em investigações acaba limitado pelo desligamento, falta de bateria, obstrução voluntária e problemas no armazenamento de arquivos.

As declarações foram dadas em sabatina organizada pela rádio CBN e pelos jornais O Globo e Valor Econômico.

Folha de São Paulo

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