TSE publica acórdão que confirma condenação de Castro e pode impactar sucessão no Rio

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou o acórdão do julgamento dos recursos no processo que deixou o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), inelegível. O documento é a última pendência para o ministro ministro Flávio Dino liberar, no Supremo Tribunal Federal (STF), a retomada da ação que vai definir a sucessão no estado.
O TSE rejeitou recursos do ex-governador, que tenta reverter a condenação, e do Ministério Público Eleitoral, que defende que o tribunal deveria ter decretado a cassação do diploma de Cláudio Castro. Neste caso, a eleição do seu sucessor seria direta, por voto popular, e não na Assembleia Legislativa, como ocorre nas situações em que a saída do cargo é voluntária. A palavra final sobre o formato de votação será do STF.
O processo sobre a sucessão do Rio está parado no gabinete de Flávio Dino há mais de dois meses. O ministro, que tem o poder de liberar a ação para ser incluída novamente na pauta, decidiu aguardar a publicação do acórdão sobre os recursos.
Dino pediu vista (mais tempo para análise) e suspendeu a votação no STF quando o placar estava em 4 a 1 a favor de eleições indiretas para governador. Inicialmente, o ministro afirmou que devolveria o processo assim que o TSE publicasse a íntegra da decisão que condenou Cláudio Castro e, com isso, esclarecesse dúvidas essenciais para definir o formato da eleição suplementar.
O ministro mudou de opinião depois que o Ministério Público Eleitoral apresentou o recurso ao TSE questionando o que vê como contradições entre o julgamento da Corte e o acórdão. A interlocutores, Dino justificou que o Tribunal Superior Eleitoral precisava aparar as arestas para o STF poder tomar uma decisão com segurança.
Havia uma expectativa de que, após o julgamento dos recursos, Dino pudesse desengavetar o processo, o que não ocorreu. Enquanto não há uma decisão definitiva sobre o formato da eleição-tampão, o Rio de Janeiro está sendo governado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça. Caciques da política e colegas magistrados acreditam que ele vai continuar no cargo até as eleições de outubro. O próprio desembargador afirmou publicamente que acredita ter pelo menos mais 90 dias no cargo, “talvez até mais”.
Com o “jogo de empurra” entre o STF e o TSE, não há mais tempo hábil para organizar uma eleição direta, se assim decidir o Supremo Tribunal Federal. A Justiça Eleitoral precisa de prazo para registrar as candidaturas e organizar toda a logística da votação. Segundo o calendário do TSE, a última data disponível para eleições suplementares antes da votação regular, de outubro, é no dia 21 de junho.
Os pedidos de vista podem ser estender por até 90 dias, segundo o regimento interno do STF. O prazo para Dino devolver o processo se esgota em julho, que é quando começa o recesso do Judiciário. Com isso, a análise no Supremo pode ficar para o segundo semestre.
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