Política

Veja quem ganha e quem perde com o resultado do 1º turno das eleições

O primeiro turno das eleições deste domingo (4) fortaleceu o PL no Congresso e confirmou a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. O resultado também ampliou a presença da família Bolsonaro na política, com quatro parentes do ex-presidente eleitos para a Câmara e o Senado.

Entre os derrotados estão integrantes de famílias tradicionais e nomes históricos do PT. A nova composição do Senado também impõe dificuldades a lideranças do centrão e aumenta a pressão sobre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Veja o balanço.

QUEM GANHA

Tarcísio de Freitas

O governador de São Paulo foi reeleito com 62,65% dos votos válidos, o maior percentual registrado em uma primeira rodada da disputa pelo governo paulista desde a retomada das eleições diretas, em 1982. A vitória amplia sua projeção nacional e o mantém entre os nomes da direita para a sucessão presidencial de 2030.

Tarcísio começará o segundo mandato com apoio de pelo menos 65 dos 94 deputados da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), o mesmo tamanho de sua base atual. A maioria continua confortável, embora a oposição tenha crescido de 23 para 28 cadeiras.

PL

O partido levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao segundo turno presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ampliou sua força no Legislativo. Elegeu 121 deputados federais, contra 98 na eleição anterior, e conquistou 19 vagas no Senado. Somadas às cadeiras cujos mandatos continuam, a bancada de senadores chegará a 28 integrantes em 2027.

A sigla também elegeu os dois deputados federais mais votados do país: Nikolas Ferreira, em Minas Gerais, e Lucas Pavanato, em São Paulo. Ambos superaram 3 milhões de votos e ultrapassaram o recorde anterior, de Eduardo Bolsonaro, em 2018.

Jair Bolsonaro

Preso por tentativa de golpe de Estado e inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve quatro familiares eleitos para o Congresso. Sua mulher, Michelle Bolsonaro, conquistou uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, e o filho Carlos Bolsonaro foi eleito senador por Santa Catarina.

Outro filho, Jair Renan, e o irmão Renato Bolsonaro se elegeram deputados federais, respectivamente por Santa Catarina e São Paulo. Todos são do PL. O resultado se soma à classificação do primogênito Flávio para o segundo turno presidencial, mantendo a família no centro da disputa pelo comando da direita.

Governadores do PT no Nordeste

Rafael Fonteles, no Piauí, Elmano de Freitas, no Ceará, e Jerônimo Rodrigues, na Bahia, garantiram a reeleição no primeiro turno. As vitórias preservam três governos estaduais para o PT, que ainda disputa a segunda rodada no Rio Grande do Norte e no Distrito Federal.

Os governadores foram reconduzidos na única região em que Lula ficou à frente de Flávio na disputa presidencial. Os resultados mantêm palanques para o petista no Nordeste, embora sua vantagem sobre o candidato bolsonarista na região tenha diminuído em relação à primeira rodada de 2022.

QUEM PERDE

Integrantes de clãs tradicionais

Roseana Sarney (MDB-MA), Aécio Neves (PSDB-MG) e Ciro Nogueira (PP-PI) ficaram vagas que disputavam no Senado. Ciro não conseguiu renovar o mandato, enquanto Roseana e Aécio fracassaram nas tentativas de retornar à Casa.

Em Alagoas, a família Calheiros sofreu duas derrotas: Renan Calheiros (MDB) não se reelegeu senador, e Renan Filho (MDB) perdeu a disputa pelo governo para João Henrique Caldas, o JHC (PSDB). O filho, porém, mantém seu mandato no Senado, com término em 2031.

Ministros do STF

A eleição de uma bancada conservadora no Senado ampliou a pressão sobre integrantes do Supremo. Ministros ouvidos pela Folha veem risco concreto de processos de impeachment em 2027 e avaliam buscar interlocução com parlamentares do PL considerados mais moderados.

Levantamento do jornal identifica ao menos 49 senadores da próxima legislatura que defendem o afastamento de ministros, ainda que com ressalvas. São cinco a menos que os 54 votos necessários para aprovar a medida. O andamento dos pedidos também dependerá de quem assumir a presidência do Senado.

Petistas históricos

Benedita da Silva (PT-RJ), ex-governadora do Rio de Janeiro, e Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-presidente do partido, não conseguiram voltar ao Senado. As duas ficaram atrás de candidatos alinhados ao bolsonarismo em seus estados.

Na disputa pela Câmara, o ex-ministro José Dirceu, por São Paulo, e o ex-tesoureiro Delúbio Soares, por Goiás, não se elegeram. Rui Falcão, outro ex-presidente do PT, também não renovou seu mandato de deputado federal por São Paulo. Apesar das derrotas de veteranos, o partido elegeu 70 deputados e terá a segunda maior bancada da Casa.

Gilberto Kassab

O PSD, presidido por Gilberto Kassab, passará de 14 para 5 senadores, segundo o levantamento da Folha. A legenda elegeu apenas dois nomes neste domingo e tinha outros três em meio de mandato, perdendo espaço no Senado que será dominado pelo PL.

Kassab também integrou, como vice, a chapa presidencial de Ronaldo Caiado, que ficou fora do segundo turno. Os reveses nacionais convivem com vitórias estaduais: o PSD reelegeu Raquel Lyra em Pernambuco e Fábio Mitidieri em Sergipe, além de conquistar os governos do Maranhão, com Eduardo Braide, e do Amapá, com Antônio Furlan.

Partidos abaixo da cláusula de desempenho

As federações PSOL/Rede e PRD/Solidariedade, além de PDT, Avante e Missão, não superaram a cláusula de desempenho, segundo análise da cientista política Lara Mesquita publicada pela Folha. A regra exige uma votação mínima ou a eleição de um número mínimo de deputados federais, com distribuição por pelo menos nove unidades da Federação.

Sem atingir esses critérios, as legendas perdem acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão a partir de 2027. A restrição não elimina, porém, todo o acesso ao fundo eleitoral, que segue regras distintas. O quadro ainda pode mudar com decisões judiciais que alterem a contagem dos votos.

Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), viu adversários ganharem força em seu reduto eleitoral. Antônio Furlan (PSD) derrotou o governador Clécio Luís (União Brasil) no Amapá. As duas vagas no Senado ficaram com Rayssa Furlan (Podemos), mulher do governador eleito, e Lucas Barreto (PSD), aliado do casal.

No plano nacional, o crescimento do PL também torna mais difícil sua tentativa de permanecer na presidência do Senado em 2027. O bolsonarismo trabalha com alternativas ao atual presidente, que tem barrado pedidos de impeachment contra ministros do STF. Entre os nomes cotados estão Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).

Veteranos da Alesp

Deputadas com longa trajetória na Assembleia Legislativa de São Paulo não conseguiram renovar seus mandatos. Leci Brandão (PCdoB), eleita pela primeira vez em 2010, ficou fora após quatro mandatos consecutivos. Maria Lúcia Amary (PSD), na Casa desde 2003, também não se reelegeu.

Entre as baixas está ainda Edna Macedo (Republicanos), que acumulou cinco mandatos. As derrotas atingem tanto nomes da oposição quanto integrantes de partidos da base de Tarcísio.

Eduardo Paes

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), liderou as pesquisas durante a campanha, mas terminou a apuração atrás de Douglas Ruas (PL). Na contagem que inclui os votos atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos), Ruas recebeu 49,27%, contra 42,76% de Paes.

A realização de um segundo turno ainda depende da Justiça Eleitoral. Caso os votos de Garotinho sejam definitivamente excluídos, Ruas alcança 50,89% dos válidos e pode ser declarado eleito. Nesta segunda-feira (5), Garotinho desistiu do recurso contra o indeferimento de sua candidatura, ampliando a possibilidade de encerramento da disputa na primeira rodada.

Folha de São Paulo

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