Política

Vereadora do PL diz para parlamentar do PT ‘voltar para o Ceará’, em ataque xenofóbico na Câmara de Curitiba

A vereadora Tathiana Guzella (PL) mandou a também parlamentar Vanda de Assis (PT) voltar para o Ceará durante sessão da Câmara Municipal de Curitiba nesta quarta-feira (5). A declaração ocorreu em plenário, durante a discussão de um projeto sobre pessoas em situação de rua, e foi classificada por Vanda como xenofóbica.

Natural de Campos Sales, no Ceará, Vanda se manifestava sobre um projeto de lei de autoria do vereador João Bettega (PL), que pretende criar um cadastro municipal com dados de pessoas em situação de rua.

Assistente social por formação, Vanda criticava a proposta e sustentava que o principal problema de Curitiba não é a ausência de cadastro, mas a falta de locais e de atendimento efetivo para essa população.

Durante a fala, Tathiana pediu um aparte, concedido pela petista. “A senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, os partidos correlatos ao PT. Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas vem encher o saco aqui”, afirmou a vereadora do PL, em sessão transmitida pela Câmara Municipal de Curitiba no YouTube.

Vanda retirou o aparte após a declaração. O vereador Leonidas Dias (Podemos), que presidia a sessão naquele momento, desligou o microfone de Tathiana, informou que ela poderia se inscrever para falar posteriormente e devolveu a palavra à parlamentar do PT.

“A vereadora Tathiana Guzella foi xenofóbica. Essa prática de dizer ‘por que você não volta para a sua cidade?’, ‘por que você veio para cá?’, isso é xenofobia”, declarou Vanda. “Xenofobia é crime, vereadora, e a senhora será representada por isso”, completou Vanda.

A vereadora Camila Gonda (PSB), segunda vice-corregedora e líder da oposição, pediu que a Presidência da Câmara registrasse literalmente a declaração na ata e nas notas taquigráficas, preservasse o áudio e o vídeo da sessão e adotasse providências regimentais. “O que aconteceu com a vereadora Vanda de Assis na manhã de hoje é totalmente inadmissível”, afirmou.

05/08/2026 – Sessão Plenária /Créditos: Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

A vereadora Giorgia Prates (PT) também se solidarizou com Vanda e disse que o ataque pessoal substituiu o debate sobre o projeto. “Há pessoas aqui que confundem perder um debate com licença para ofender”, declarou.

Giorgia sustentou ainda que a fala de Tathiana deve ser analisada como possível infração ao Código de Ética da Câmara. Ao retomar o mérito da proposta, criticou expressões usadas no plenário, como “cidade infestada de mendigos”, e afirmou que a população em situação de rua estava sendo tratada sem o devido reconhecimento de sua condição humana.

Em nota divulgada após a sessão, Vanda afirmou que não trataria o episódio como simples divergência política. “Não vou naturalizar esse episódio, nem tratar como uma divergência política. Xenofobia é crime”, pontuou.

A vereadora destacou que a agressão ocorreu dentro da Câmara, em uma sessão pública transmitida ao vivo, e relacionou o caso ao preconceito enfrentado diariamente por pessoas migrantes longe das câmeras e sem a visibilidade de um mandato parlamentar.

“Sou nordestina com muito orgulho. Minha história, minha origem e a de milhões de brasileiras e brasileiros não serão motivo de constrangimento ou discriminação”, afirmou.

Vanda informou que adotará as medidas cabíveis no âmbito da Câmara e na Justiça. “Não toleraremos a xenofobia. Nenhuma pessoa deve ser discriminada por sua origem”, finalizou.

Procurada pela reportagem para se posicionar sobre o episódio, a vereadora Tathiana não retornou ao contato.

Assista ao momento da ofensa xenofóbica:




Brasil de Fato

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