Xixi pode ajudar a resfriar data centers? A resposta é mais curiosa do que parece


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O resfriamento de data centers é um problema cada vez maior para a indústria de tecnologia. Com o avanço da inteligência artificial e a construção de estruturas de computação mais potentes, também cresce a preocupação com a quantidade de água necessária para manter os servidores em temperaturas adequadas.
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É nesse contexto que uma campanha publicitária levantou uma pergunta inusitada: seria possível usar urina para ajudar a resfriar data centers? A ideia parece brincadeira, mas chama atenção para uma solução que já existe na prática: o uso de água residual tratada para reduzir a dependência de água potável.
Para quem tem pressa:
- O crescimento dos data centers e da inteligência artificial aumenta a demanda por água para resfriar servidores, levando empresas e cidades a buscar alternativas ao uso de água potável;
- Apesar da brincadeira com urina em uma campanha publicitária, a solução que já existe é o tratamento e reúso de água residual. Em Quincy, nos EUA, um projeto com a Microsoft economiza cerca de 522 milhões de litros de água por ano;
- A tecnologia ainda não é adotada em larga escala porque exige infraestrutura, investimento e planejamento, mas pode se tornar uma opção interessante para a redução dos impactos ambientais.
A ideia veio de uma campanha da marca de energéticos Liquid Death e a cervejaria Garage Beer. O comercial ainda contou com o ex-jogador de futebol americano Jason Kelce, um dos investidores da empresa de cerveja. A ação usou o slogan “We want your pee” (algo como “Queremos o seu xixi”) e brincou com a possibilidade de utilizar urina para ajudar na refrigeração de data centers, lançando até um copo que poderia ser utilizado como recipiente para o “líquido”.
Por trás da piada existe uma questão importante. Servidores produzem muito calor durante o funcionamento e precisam de sistemas capazes de manter a temperatura sob controle. Em algumas tecnologias de refrigeração, a água em abundância é parte fundamental desse processo.
Em 2025, os data centers do Google consumiram cerca de 10,9 bilhões de galões de água, o equivalente a 41,3 bilhões de litros. No ano anterior, apenas uma das instalações da empresa, em Council Bluffs, nos Estados Unidos, consumiu aproximadamente 3,8 bilhões de litros.
O crescimento da inteligência artificial tornou o assunto ainda mais relevante. Modelos de IA mais avançados exigem grandes estruturas computacionais, aumentando a quantidade de servidores e, consequentemente, a necessidade de sistemas de resfriamento.
E, calma, todo esse gasto não significa que despejar urina nos equipamentos seja uma alternativa viável. O líquido contém substâncias que podem causar problemas nos sistemas de refrigeração, mas podemos dizer que a base da ideia pode não estar de todo errada.
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A solução real já existe, mas ainda enfrenta obstáculos

A alternativa utilizada em alguns locais é tratar e reutilizar água residual. Depois de passar por processos específicos de tratamento, a água pode ser destinada a atividades que não exigem água potável, incluindo sistemas de refrigeração de data centers.
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Um exemplo está em Quincy, no estado de Washington, nos Estados Unidos. A cidade criou, em parceria com a Microsoft, um sistema que trata e reutiliza água para o resfriamento de data centers. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), a iniciativa reduz em cerca de 138 milhões de galões, ou 522 milhões de litros, por ano, o uso de água.
Apesar de funcionar, esse tipo de sistema ainda não é uma solução simples de implementar em qualquer lugar. A construção da infraestrutura pode custar milhões de dólares e exigir anos de planejamento. Também é necessário instalar tubulações para transportar a água tratada até os data centers, além de lidar com diferentes regras e processos de licenciamento em cada região.
No caso de Quincy, por exemplo, o projeto custou cerca de US$ 31 milhões e levou mais de uma década entre o planejamento e o início da operação. A distância entre os data centers e a estrutura de tratamento também pode aumentar os custos de conexão.
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A própria EPA reconhece essas dificuldades e vem trabalhando para ampliar o uso de água de reúso. A agência incluiu, em seu plano de ação para 2026, medidas para ajudar estados e comunidades a aumentar a utilização de água reciclada no resfriamento de data centers e reduzir obstáculos regulatórios.
Assim, o “xixi” da campanha é apenas uma forma divertida de chamar atenção para uma questão séria: a água de reúso já pode ajudar a reduzir o impacto dos data centers, mas sua expansão depende de infraestrutura, investimento e regras que permitam levar essa solução a mais lugares.
Olhar Digital



