Política

A difícil situação do PT nas disputas aos governos estaduais pelo país

Segundo partido com mais governadores de estado hoje — tem quatro, empatado com MDB e União Brasil e abaixo do PSD, que tem seis –, o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta muitas dificuldades para ao menos repetir o desempenho nas eleições deste ano.

A legenda disputa a reeleição no Ceará (com Elmano de Freitas), Bahia (Jerônimo Rodrigues) e Piauí (Rafael Fonteles), mas só lidera a disputa com este último — segundo levantamento divulgado pela AtlasIntel em maio, o piauiense tem 63,4% das intenções de voto, bem à frente de Joel Rodrigues (PP), com 24,7%.

No maior estado governado pelo petismo hoje, a Bahia, o candidato do PT, o governador Jerônimo Rodrigues, aparece atrás do seu principal concorrente, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) — o petista tem 38,7% das intenções de voto contra 47,8% do adversário.

No estado, que o petismo governa desde 2006 e está no quinto mandato consecutivo, a situação também se complicou depois que investigações da Polícia Federal apontaram suspeitas graves na relação do senador e ex-governador do estado Jaques Wagner (PT) com o Banco Master.

Já no Ceará, a dificuldade do petismo está ligada ao bom desempenho do ex-governador Ciro Gomes, de volta ao PSDB, na corrida pelo comando do estado. No primeiro turno, segundo a AtlasIntel, eles estão empatados tecnicamente (45,8% para Ciro e 44,8% para Elmano), mas no segundo turno o tucano crava 53,2% das intenções de voto contra 44,9% do petista.

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Para complicar, a desaprovação ao governo de Elmano já supera a sua aprovação. Segundo a AtlasIntel, 53% dos entrevistados avaliam de forma negativa o trabalho do petista  — essa taxa era de 40% em dezembro. Ao mesmo tempo, a sua aprovação caiu de 55% há seis meses para 42% agora.

No Nordeste, reduto importante da esquerda, o PT ainda lidera no Rio Grande do Norte com o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier, que tem 37,7% das intenções de voto contra 27,6% do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) — a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, o que indica uma eleição apertada para suceder a petista Fátima Bezerra.

No Maranhão, o vice-governador Felipe Camarão (PT), que teve o seu nome lançado por Lula, aparece apenas em terceiro lugar na corrida ao governo, segundo pesquisa AtlasIntel de maio: ele tem 14% das intenções de voto, atrás do ex-secretário estadual Orleans Brandão (MDB), que tem 23,1%, e muito distante do favorito, o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD), que tem 50,1%.

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No Mato Grosso do Sul, o candidato petista Fábio Trad tem 21% das intenções de voto, muito atrás do favorito, o atual governador Eduardo Riedel (PP), que tem 43%, segundo pesquisa AtlasIntel de maio.

No Espírito Santo, o deputado federal Helder Salomão (PT) aparece com 10%, bem atrás do atual governador, Ricardo Ferraço (MDB), que tem 39%, e do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), que alcança 33%, segundo levantamento Real Time Big Data de junho. 

São Paulo e Minas Gerais

Dificuldade grande também terá o PT no maior colégio eleitoral do país, São Paulo, onde a disputa está resumida ao embate entre o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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Com apenas dois nomes competitivos no páreo, o risco de a eleição ser resolvida no primeiro turno é muito grande — e Tarcísio é o favorito, pois tem 45,6% das intenções de voto contra 34,1% do ex-ministro, segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas de maio.

No segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais, Lula ainda não conseguiu montar um palanque, mas é muito difícil que ele seja encabeçado por um petista. As hipóteses mais prováveis hoje são apoiar Gabriel Azevedo (MDB), Alexandre Kalil (PDT) ou algum nome do PSB, como o ex-presidente da Fiesp Josué Alencar.

Sem cabeça de chapa

Em alguns colégios eleitorais, o PT simplesmente abriu mão de ter o cabeça de chapa para apoiar aliados mais competitivos, mesmo de partidos de centro-direita, como no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes (PSD); Amazonas, com Omar Aziz (PSD); Paraíba, com Lucas Ribeiro (PP); Sergipe, com Fabio Mitidieri (PSD); e Amapá, com Clécio Luís (União Brasil).

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Na Região Sul,  região onde o petismo tem mais dificuldades no enfrentamento com o bolsonarismo, o PT vai apoiar aliados de partidos de esquerda, como Requião Filho (PDT) no Paraná; Juliana Brizola (PDT) no Rio Grande do Sul; e Gelson Merísio (PSB), em Santa Catarina — nenhuma deles, no entanto, é considerado favorito para vencer a eleição.

 

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