Política

70% das eleições na América Latina foram vencidas por quem usou segurança como tema, diz pesquisador

Um levantamento feito pelo cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), mostra que 70% das eleições ocorridas na América Latina desde 2023 foram marcadas pela ascensão da segurança pública como tema central da campanha.

No período, 13 das 19 eleições foram vencidas por lideranças que usaram o combate ao crime organizado e a restauração da ordem como prioridade no pleito. Em muitos dos casos, diz o levantamento, a eleição se transformou em um plebiscito sobre ordem pública.

O pesquisador não levou em conta a situação de Venezuela, Cuba e Nicarágua porque os processos eleitorais foram contestados nesses países.

Um dos casos mais emblemáticos foi a vitória, neste domingo (21), de Abelardo de la Espriella, eleito para presidir a Colômbia. O advogado de extrema-direita prometeu uma ofensiva militar contra o narcotráfico e a construção de dez megaprisões.

Ele lembra, no entanto, que a reeleição de Nayib Bukele em El Salvador, em 2024, foi o que consolidou a narrativa de tolerância zero como ativo eleitoral. Neste ano, Laura Fernández foi eleita presidente da Costa Rica ao prometer construir prisões nos moldes do país vizinho.

A proposta, inclusive, está no plano de segurança apresentado pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). O texto promete construir cinco novos presídios de segurança máxima e cita o modelo adotado em El Salvador.

A prática se tornou recorrente e foi usada nas campanhas do Chile, Bolívia, Equador e Honduras, por exemplo.

“Com a violência no centro da preocupação social, cresce a demanda por líderes que prometem endurecimento penal, fortalecimento policial, combate direto ao crime organizado e retomada da autoridade estatal em áreas vulneráveis”, diz Medeiros.

Ele lembra ainda que corrupção e segurança se tornaram as marcas das eleições na América Latina e são temas que dialogam com a percepção de falha do Estado. “São sintomas capazes de impactar as eleições de outubro no Brasil”, concluiu.


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Folha de São Paulo

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