Política

Lula e Wagner discutem saída de líder do governo no Senado nesta quarta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Jaques Wagner (PT-BA) se reúnem nesta quarta-feira para debater a possível saída do parlamentar da liderança do governo no Senado. Wagner é alvo de uma operação da Polícia Federal e está sob investigação por suposto recebimento de vantagens indevidas ligadas ao Banco Master, acusação que ele veementemente nega.

A reunião ocorre em meio à pressão do governo para que o senador deixe o cargo e, assim, evite um desgaste eleitoral ao Palácio do Planalto, preocupado com as repercussões políticas das investigações.

O que aconteceu

  • A saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado está em pauta após o senador ser alvo de uma investigação da Polícia Federal.
  • O Palácio do Planalto considera a permanência do senador insustentável e busca evitar desgaste eleitoral para o governo.
  • O PT, por sua vez, reforça o compromisso com a apuração das fraudes do Banco Master, defendendo investigações sem intervenção política.

Lula aguarda que o senador tome a iniciativa de deixar o cargo, segundo informações de seu entorno próximo. Jaques Wagner, no entanto, demonstra resistência em ceder à pressão. Caso o aliado mantenha a relutância, a expectativa é que o presidente apresente argumentos sobre a importância do gesto para proteger a imagem do governo.

A permanência de Wagner na liderança é avaliada como insustentável no Palácio do Planalto. Essa percepção se reflete também entre aliados próximos do senador na Bahia, estado onde ele esteve nos últimos dias. Para os governistas, a saída é essencial para superar o tema e permitir ao governo “mudar de assunto” na pauta política.

Quais os riscos para a agenda presidencial?

Há também uma preocupação com o risco de a permanência de Jaques Wagner contaminar a agenda de Luiz Inácio Lula da Silva no estado da Bahia na semana que vem. O presidente tem viagem marcada para as comemorações do 2 de Julho, data da Independência baiana, e deve participar da inauguração de um hospital em Alagoinhas, da reinauguração do Teatro Castro Alves, em Salvador, e do lançamento do canteiro de obras da ponte que ligará a capital à Ilha de Itaparica.

A relação de amizade de 40 anos entre Lula e Wagner amplia o constrangimento para que o pedido de afastamento parta do próprio presidente, de acordo com auxiliares. Se a iniciativa vier do próprio senador, o embaraço seria evitado e a transição seria mais fluida. Jaques Wagner é pré-candidato à reeleição e, na avaliação de seus aliados, a saída da liderança não deve trazer impactos eleitorais locais significativos.

No entanto, a sua saída ajudaria o governo a se distanciar do escândalo envolvendo o Banco Master às vésperas do período eleitoral. A situação foi amplamente discutida em uma reunião do núcleo de campanha de Lula, realizada na segunda-feira. A avaliação consensual foi de que o PT deve manter apoio irrestrito às investigações sobre as fraudes do Banco Master de Daniel Vorcaro, com a premissa de “alcance quem alcançar”, e que as apurações devem seguir sem qualquer tipo de intervenção política.


IstoÉ

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