Couto troca direção do Ceperj, órgão que provocou queda de Castro

O desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro, deu mais um passo na reformulação na Fundação Ceperj, órgão que esteve no centro da renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL). Nesta quinta-feira, 25, Couto nomeou Marilia Ortiz para a presidência da instituição, que já havia sido transferida da Casa Civil para o guarda-chuva da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão.
A mudança faz parte do processo de reorganização administrativa conduzido pelo desembargador desde que assumiu o Palácio Guanabara, em março. Em nota à imprensa, Couto afirmou que a reforma “fortalece o papel da instituição e o seu viés de produção de conhecimento”.
A Fundação Ceperj se tornou um dos principais símbolos do desgaste da gestão Cláudio Castro após denúncias de pagamentos em dinheiro vivo a milhares de funcionários temporários que teriam atuado como cabos eleitorais em 2022, sem mecanismos adequados de controle e transparência. O caso levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a condenar o ex-governador a oito anos de inelegibilidade por abuso de poder político e econômico.
Agora vinculada novamente à Secretaria de Planejamento e Gestão, a fundação deverá concentrar esforços em pesquisas e na formação de quadros técnicos para a administração estadual. Segundo o secretário Rafael Abreu, a intenção é fortalecer o planejamento de longo prazo e ampliar a produção de informações que sirvam de base para o desenho de políticas públicas.
A nova presidente, Marilia Ortiz, é servidora federal da carreira de Analista em Ciência, Tecnologia e Inovação. Formada em Gestão de Políticas Públicas pela USP, mestre em Administração Pública e Governo e doutoranda pela FGV Ebape, ela acumulou passagens pela Prefeitura de Niterói, onde comandou a Secretaria de Fazenda e a Subsecretaria de Planejamento.
A reformulação da Ceperj é vista como mais um gesto de Couto para marcar distância em relação à gestão anterior. Desde que assumiu o governo, o desembargador cortou milhares de cargos comissionados, determinou auditorias em contratos públicos e substituiu dirigentes de órgãos considerados sensíveis, em uma tentativa de imprimir uma agenda de ajuste fiscal e fortalecimento dos mecanismos de controle.
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