Fraude Americanas: PF deflagra 2ª fase e bloqueia R$ 54 bilhões

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude contábil bilionária nas Americanas. Com apoio do Ministério Público Federal (MPF), agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, e a Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados em até R$ 54 bilhões.
O que aconteceu
- A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, que apura a fraude contábil bilionária na Americanas.
- A Justiça do Rio de Janeiro autorizou o bloqueio de bens e valores dos investigados, que pode chegar a R$ 54 bilhões.
- A nova etapa da investigação busca esclarecer o envolvimento de acionistas da companhia e de executivos de bancos no esquema.
A determinação da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro estabeleceu o bloqueio de bens e valores dos envolvidos em até R$ 54 bilhões. Este montante, conforme a Polícia Federal, corresponde ao prejuízo estimado por laudos técnicos elaborados ao longo das investigações da Operação Disclosure.
O foco desta nova etapa é aprofundar a apuração sobre a possível participação de acionistas da companhia e de representantes de instituições financeiras no intrincado esquema. A força-tarefa busca desvendar a extensão do envolvimento dessas partes na fraude que abalou o mercado.
Quais são os alvos da operação?
Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão os empresários Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann. Eduardo Saggioro Garcia, que é apontado pelos investigadores como um operador com ligações próximas aos sócios da empresa, também foi alvo. Além disso, executivos de bancos privados estão entre os visados pelas medidas judiciais.
Segundo as informações divulgadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, ex-executivos da Americanas são suspeitos de ter arquitetado um esquema complexo. O objetivo era inflar artificialmente os resultados financeiros da companhia, ocultar dívidas e manipular balanços contábeis para valorizar indevidamente as ações negociadas no mercado.
Como a fraude era praticada?
As investigações detalham que os envolvidos no esquema teriam se beneficiado financeiramente de diversas formas. Apura-se que eles recebiam bônus milionários que eram diretamente atrelados ao desempenho financeiro falsificado da empresa. Adicionalmente, lucravam com a venda de ações que, por sua vez, estavam artificialmente valorizadas devido às fraudes.
A PF aponta que os suspeitos tinham pleno conhecimento das fraudes contábeis, que teriam sido sistematicamente praticadas por anos. Essas ilegalidades incluíam operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) que eram contabilizados sem qualquer respaldo econômico real.
Para os investigadores, os elementos colhidos até o momento configuram indícios robustos da prática dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa, demonstrando a gravidade das acusações.
Até o momento da publicação desta reportagem, as defesas dos empresários e executivos citados na Operação Disclosure não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações.
Da IstoÉ
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