Governador interino de Roraima demite comissionados três dias após perder eleição

Três dias após ser derrotado na eleição suplementar ao governo de Roraima, o governador interino Soldado Sampaio (Republicanos) exonerou todos os ocupantes de cargos comissionados do Executivo local.
O decreto, publicado no Diário Oficial do estado nesta quarta-feira (24), diz que há exceção apenas secretários e cargos correspondentes.
O texto não fala em quantitativos, mas levando em conta as secretarias e instituições ligadas ao governo, são mais de 6.000 cargos que ficam desocupados a partir de agora.
Nos bastidores, a decisão é vista como uma tentativa do atual gestor de pressionar por acordos políticos e nomear aqueles que o ajudarão no processo de reeleição.
Ele se candidatou na eleição suplementar que ocorreu no último domingo (21), mas perdeu para Arthur Henrique (PL), que era apontado como favorito no estado. Arthur, no entanto, não pode assumir porque a candidatura está “sub judice”.
Ele aposta em uma decisão favorável no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), após o STF (Supremo Tribunal Federal) barrar a possibilidade de ele sair candidato.
Aliados do governador alegam, no entanto, que ele já deveria ter adotado a medida, porque os comissionados do Executivo foram indicados pelo governo anterior, que era seu adversário. E dizem acreditar que a recomposição será feita rapidamente.
Em nota, o governo de Roraima afirmou que iniciou um processo de ajuste na máquina pública para tornar a administração mais eficiente. Disse ainda que os exoneradores serão reconduzidos de acordo com a real necessidade de cada secretaria.
“A medida prevê o redimensionamento dos quadros da administração direta e indireta para identificar as reais necessidades de cada órgão, abrindo caminho para o preenchimento de vagas por meio de concursos públicos”, afirmou.
A exoneração em massa também foi feita pela Assembleia Legislativa de Roraima. Lá, a projeção é que mais de 4.000 ocupantes de cargos de confiança tenham sido exonerados.
Segundo a publicação no Diário Oficial da casa, a medida abrange todos os gabinetes parlamentares, as superintendências e órgãos vinculados. O ato é assinado pelo presidente da Casa, deputado estadual Jorge Everton (União), e pelo primeiro e segundo secretários da Mesa Diretora.
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Folha de São Paulo



