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Produção de milho segunda safra deve ser menor na temporada 2025/26



A produção brasileira de milho segunda safra será menor no ciclo 2025/26, em meio a uma temporada marcada por problemas climáticos, custos elevados e preços menos favoráveis.
A expedição Rally da Safra, organizada pela Agroconsult, indicou que o país deverá produzir 115,8 milhões de toneladas de milho segunda safra, volume inferior aos 125,3 milhões de toneladas registrados na temporada anterior. A projeção final do Rally, no entanto, fica acima das 112 projetadas no início da expedição, em maio.
Para o ciclo 2025/26, o Rally da Safra identificou três grupos de desempenho para as lavouras do cereal. No primeiro, com condições consideradas muito favoráveis, estão o Médio Norte e Oeste de Mato Grosso, o Sul de Mato Grosso do Sul, o Oeste do Paraná e Sul de SP, regiões onde os produtores conseguiram realizar o plantio dentro da janela de menor risco e registraram os melhores resultados produtivos.
O segundo grupo reúne Maranhão, Piauí, Tocantins, Norte do Paraná, Sudoeste de São Paulo e parte do Leste de Mato Grosso, onde as condições de plantio foram razoavelmente favoráveis, embora os atrasos e o alongamento do ciclo tenham levado parte dos produtores a reduzir área ou assumir riscos maiores.
Já Goiás, Sudeste de Mato Grosso, Norte de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais formam o grupo mais impactado pelos atrasos na semeadura. Nessas regiões, o plantio ocorreu fora da janela considerada ideal, provocando redução de área e perdas significativas de produtividade devido à interrupção prematura das chuvas em abril e maio.
Área plantada
A área nacional de milho segunda safra foi estimada em 18,2 milhões de hectares, praticamente estável em relação ao ciclo anterior. Apesar da estabilidade nacional, houve movimentos expressivos entre os Estados, refletindo os riscos associados ao calendário de plantio.
Análises de satélite feitas pelo Rally mostram que Mato Grosso ampliou a área cultivada em 2%, Mato Grosso do Sul em 5,2%, Paraná em 4,2% e Rondônia em 10,3%. Em contrapartida, houve redução de 5,9% em Goiás, 4,7% em Minas Gerais e 9,1% na região do MAPITO, confluência entre Maranhão, Piauí e Tocantins.
A expedição lembrou que a safra foi marcada por chuvas excessivas em março, que retardaram a implantação das lavouras, seguidas por períodos de seca em abril e maio em importantes áreas produtoras do Centro-Oeste. Embora algumas regiões tenham registrado chuvas em junho, a recuperação não foi suficiente para compensar integralmente as perdas já consolidadas.
Produtividade
Entre os Estados monitorados pelo Rally da Safra, Mato Grosso apresentou os melhores resultados, com produtividade média de 130 sacas por hectare (-1,4% em relação à safra passada).
Já Goiás registrou um dos maiores impactos da temporada, com produtividade média de 83 sacas por hectare, queda de 34,6% sobre o ciclo passado. Mato Grosso do Sul alcançou média de 99,3 sacas por hectare, beneficiado pelo bom desempenho do Sul do estado, enquanto o Paraná registrou média de 97,9 sacas por hectare, com destaque positivo para a região Oeste. Em Minas Gerais, a redução foi de 22,2%, enquanto no MAPITO a retração alcançou 14,9%.
“A produção brasileira continua expressiva, mas é importante diferenciar volume produzido de resultado econômico. Nessa safra, o produtor enfrentou uma combinação de custos elevados e preços pressionados, o que reduz a rentabilidade da atividade”, avalia, em nota, André Debastiani, coordenador do Rally da Safra.
A colheita segue em andamento em áreas do Paraná e de Mato Grosso do Sul, onde produtores continuam monitorando o risco de frio sobre lavouras ainda em fase de enchimento de grãos. Embora o potencial de perdas seja limitado neste estágio da safra, o clima permanece no radar dos produtores.
A produção brasileira total de milho é projetada em 144,1 milhões de toneladas – no início de maio, a estimativa era de 140,5 milhões, frente a 152,3 milhões de toneladas no ciclo anterior. A área total atinge 22,6 milhões de hectares.
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Globo Rural

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