Política

A chave para a redenção ou a derrocada de Jaques Wagner

Na quarta-feira 24, o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado após uma reunião com Lula, com quem tem uma amizade de mais de quatro décadas. A decisão — tomada em comum acordo, conforme o relato do congressista — foi a forma encontrada para tentar estancar eventual impacto negativo do escândalo do Master na campanha à reeleição do presidente.

Segundo a Polícia Federal, Wagner atuou no Legislativo a favor dos interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em troca, teria recebido um apartamento avaliado em cerca de 2,5 milhões de reais e ingressos para o camarote de um show em Los Angeles, que teriam custado mais de 60 000 reais. A empresa da esposa de um enteado do parlamentar também teria sido agraciada com um repasse milionário.

Antes de deixar o cargo, Wagner recorreu ao Supremo contra a ação da PF alegando ter sido vítima de um erro grave, já que teria atuado não a favor, mas contra os interesses do Master, versão corroborada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. O avanço das investigações mostrará quem tem razão. Preocupado mais com a questão eleitoral do que com a pendenga jurídica, Lula preferiu não esperar e rifou o companheiro.

Nova missão

Com longa ficha de serviços prestados ao PT, na qual se destacam cargos de ministro em gestões passadas de Lula e Dilma Rousseff, Jaques Wagner deixará a liderança com um novo desafio definido: a eleição na Bahia, estado que governou por duas vezes e é o quarto maior colégio eleitoral do país, além de o principal do Nordeste, com 11.285.507 eleitores.

A missão do senador é ajudar o PT a ganhar a disputa para o governo — com Jerônimo Rodrigues, que tentará a reeleição — e as duas vagas para o Senado: uma com o próprio Wagner, outra com o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa. Mais importante: o ex-líder tem como tarefa principal garantir que Lula conquiste uma vantagem considerável sobre a oposição na Bahia, capaz de neutralizar a esperada derrota do presidente no Estado de São Paulo.

Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro na Bahia, no segundo turno, por 72,12% a 27,88% dos votos válidos, uma diferença de 3.740.787 votos. Uma lavada. Caso o resultado se repita, Wagner será festejado como um dos responsáveis por eventual sucesso da campanha à reeleição. Caso contrário, suas conexões com o esquema do Master certamente serão apontadas como decisivas para o fracasso petista na corrida presidencial.

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