Alemanha pega Paraguai na Copa para manter escrita

Historicamente, alemães se dão bem diante de sul-americanos na história dos Mundiais. E é contra um representante da Conmebol, o Paraguai, que a seleção europeia estreia na fase mata-mata da Copa do Mundo (ou fase de 32), nesta segunda (29), em Boston.
Com exceção de finais, diz a história que a Alemanha nunca perdeu para um rival da América do Sul em jogos eliminatórios. O retrospecto inclui um jogo contra o próprio Paraguai, nas oitavas de final do Mundial de 2002, com uma vitória por 1 a 0 com gol aos 43min do segundo tempo de Neuville. Esse é o meio copo cheio alemão.
No entanto, na última partida pela fase de grupos, a Alemanha sofreu uma derrota de virada para o Equador, a primeira para sul-americanos (em qualquer fase) desde a final de 2002 –o 2 a 0 do penta. Esse é o meio copo vazio.
Apesar dos 7 a 1 contra Curaçao na estreia, a seleção germânica ainda não convenceu completamente no Mundial. Além da partida contra os equatorianos, arrancaram uma virada contra Costa do Marfim (2 a 1) em atuação criticada.
De acordo com o jornal alemão Bild, há uma preocupação em especial com o entrosamento do trio de meia-atacantes Florian Wirtz, Jamal Musiala e Leroy Sané, que abastecem Kai Havertz.
Após a derrota para o Equador, o trio permaneceu por cerca de 20 minutos num campo lateral, treinando passes rápidos e finalizações. Musiala e Wirtz vieram de temporada marcada também por lesões.
“Você pode ver com Florian e Jamal que eles não estão tão longe de sua melhor forma. Você tem a sensação de que estão perto. Jamal já marcou um gol, Florian ainda não”, comentou o diretor esportivo e ex-atacante Rudi Völler —que era o técnico da Alemanha na final de 2002.
“Mas talvez isso também seja bom [Wirtz não ter marcado], pois ele ainda tem muita coisa na manga e pode começar a usar na segunda-feira ou nos próximos jogos”, acrescentou.
Fora da Copa do Mundo após romper o ligamento do tornozelo esquerdo, Nico Schlotterbeck será substituído novamente por Antonio Rüdiger, zagueiro do Real Madrid que começou a competição no banco.
Ausente da partida contra o Equador com problemas musculares no adutor, o lateral esquerdo Brown deve retornar à equipe titular do técnico Julian Nagelsmann.
O mister tem sido criticado no comando da equipe por parte da imprensa e por um inesperado opositor. O alemão Jurgen Klopp, ex-técnico do Liverpool, está trabalhando como comentarista para uma TV nesta Copa. E não tem dourado a pílula nos comentários.
“Perder a bola já é ruim, mas perder em zonas erradas é uma catástrofe. Foi o que nos aconteceu. Fomos engolidos nos duelos no centro do terreno. Era óbvio o que queríamos fazer”, analisou o alemão após a derrota para o Equador. “A seleção pode, obviamente, fazer muito melhor. O futebol tem de ser temperado com paixão, intensidade e emoção.”
Klopp é apontado como um dos possíveis sucessores de Nagelsmann em caso de fracasso na Copa da América do Norte.
Em uma disputa secundária nesta Copa, os europeus disputam com o Brasil o recorde de equipe mais artilheira dos Mundiais. Por enquanto, a conta está 241 a 239 a favor da seleção brasileira.
Do lado paraguaio —uma das seleções que avançou como um dos oito terceiros colocados—, a equipe contará com o retorno de Miguel Almirón.
O meia-atacante volta ao time após cumprir suspensão pela expulsão contra a Turquia, quando cobriu a boca com a mão para falar com o rival. Foi a primeira vez que a Lei Vinicius Junior foi aplicada em uma partida de Copa do Mundo.
Porém a seleção terá desfalques. Alderete sofreu um trauma no joelho no jogo decisivo contra a Austrália e é a principal dúvida do time. Canale é o reserva.
Já o volante Diego Gómez cumpre suspensão por acúmulo de cartões amarelos —o são-paulino Bobadilla, que já fez um gol contra na competição, pode ocupar sua vaga.
O classificado entre Alemanha e Paraguai enfrenta nas oitavas de final, no próximo sábado (4), o vencedor do confronto entre França e Suécia.
Esporte / Folha de São Paulo


