Economia

fuga estrutural deve continuar após primeira captação de 2026

A caderneta de poupança fechou maio com captação líquida de R$ 2,6 bilhões, segundo o Banco Central. Foi a primeira vez em que os depósitos superam os saques em 2026 e levaram o saldo da modalidade para R$ 1,014 trilhão. Em maio do ano passado, também houve captação, mas muito menor, de R$ 397 milhões apenas.

A melhora da caderneta coincide com um começo de ano de economia mais aquecida, com desemprego baixo e melhora da renda dos trabalhadores, reforçada pela isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, além do início do programa Desenrola 2.0 do Governo Federal. Mas, apesar do respiro, o mercado enxerga o resultado de maio como um evento pontual e ainda espera dificuldades na captação para a caderneta. No acumulado do ano, o saldo é negativo, com resgate líquido de R$ 39,1 bilhões.

“A tendência é que os saldos em poupança continuem de lado, pois há uma concorrência maior de outros produtos financeiros e uma transformação cultural do investidor”, oberva José Ramos Rocha Neto, vice-presidente do Bradesco.

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Para ele, o aumento dos depósitos este ano pode estar parcialmente ligado à busca por maior proteção pelos investidores depois dos problemas com bancos no mercado. “A poupança sempre teve essa imagem de segurança que atrai o investidor”, diz.

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Para João Luís Debom, head do private da Supernova Investimentos, a captação em maio também pode ser explicada pela sazonalidade. “Maio concentra antecipações de pagamentos de 13º de servidores e benefícios da Previdência, e o Desenrola 2.0, cujo início coincidiu com o mês”. Segundo ele, os recursos que transitam por renegociações de dívidas muitas vezes passam pela poupança.

Migração na renda fixa

O cenário estrutural de juros altos continua sendo o grande vilão da modalidade. Debom lembra que as condições macroeconômicas não sofreram alterações. “Com Selic ainda elevada, CDI e títulos públicos seguem entregando rentabilidade muito superior à caderneta. O investidor pessoa física está cada vez mais atento a isso e a tendência de migração para produtos de renda fixa mais eficientes continua”.

A busca por rentabilidade e eficiência é um caminho sem volta, avalia João Arthur, diretor de investimentos da Suno Consultoria. Essa migração é impulsionada por opções mais atrativas de alta liquidez, como o Tesouro Selic, Fundos DI e CDBs. Ele destaca ainda as inovações do mercado, citando o Tesouro Reserva, modalidade 24 horas por dia lançada em maio que captou R$ 2 bilhões no primeiro mês de operação.

“Isso também vai drenar a poupança e trazer desafios para o mercado imobiliário que a usa como funding, mas eu acho que vai ser positivo para o investidor”, aponta Arthur, argumentando que a caderneta vive “um movimento estrutural para baixo” no longo prazo.

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Para Rocha, do Bradesco, essa estagnação do saldo em poupança ainda deve pesar no mercado de crédito imobiliário nos próximos anos, já que a aplicação serve de fonte de recursos para os bancos emprestarem pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o SBPE, o que já faz o setor buscar outras fontes, como as LCIs e e as Letras Hipotecárias.

Infomoney

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